quinta-feira, 25 de março de 2010

O verdadeiro interesse dos EUA no Irã


As riquezas do Irã em gás natural: EUA miram a principal energia do mundo futuro

O arranque programado para este mês dos furos da China National Petroleum Company (CNPC) do campo de gás de South Pars, no Irã, poderia ser tanto um indício como uma explicação para desenvolvimentos geopolíticos muito mais vastos.

Antes de mais nada, o projeto de US$5 bilhões – assinado no ano passado após anos de demora por parte dos gigantes da energia ocidental Total e Shell, sob a sombra das sanções dos EUA – revela o principal sistema arterial da futura oferta e procura mundial de energia.

Muitos críticos há muito suspeitavam que a razão real para o envolvimento militar dos EUA e de outros países ocidentais no Iraque e no Afeganistão é controlar o corredor energético da Ásia Central. Até agora, o foco parecia ser principalmente o petróleo. Há por exemplo afirmações que um gasoduto que cortará o Mar Cáspio sentido Mar Arábico, através do Afeganistão e do Paquistão, seja o prêmio principal por trás campanha militar aparentemente fútil dos EUA naqueles países.

Mas o que mostra a CNPC-Irã é que o gás natural será essencial para a economia do mundo, e a grande importância de duas vias deste combustível para o Leste e Oeste da Ásia Central rumo à Europa e à China.

Michael Economides, editor do Energy Tribune de Huston, é um dos numerosos observadores da indústria que está convencido de que o gás natural ultrapassará o petróleo como a principal fonte primária de energia, não apenas nas próximas décadas, como ao longo dos próximos vários séculos.

Ele destaca a recente previsão da International Energy Agency (IEA), com sede em Paris, que reviu dramaticamente em 100 % as suas estimativas das reservas globais de gás natural. Economides atribui este enorme aumento a rápidas melhorias tecnológicas em extrair de campos de gás até agora inacessíveis. Afirma que a IEA estima quantidades de gás natural para 300 anos de abastecimento da atual procura mundial. "Se alguém simplesmente fantasiar quaisquer contribuições futuras de ordens de grandeza dos maiores recursos na forma de hidratos de gás, é fácil ver como é quase certo que o gás natural evoluirá até ser o primeiro combustível da economia mundial", acrescenta.

A importância crescente do gás natural como fonte de energia tem sido firme e inexorável há muitos anos. Entre 1973 e 2007, a contribuição do petróleo para a oferta mundial de energia caiu de 46,1 % para 34,0%, com o aumento da utilização de gás natural sublinhando esse declínio, segundo a IEA. É previsto também que o consumo de gás natural triplicará entre 1980 e 2030, data em que provavelmente tornar-se-á a fonte de energia primária preferencial para as necessidades industriais e públicas.

Há razões sólidas para o gás natural (metano) estar a tornar-se o rei dos combustíveis fósseis. Em primeiro lugar, tem um poder calorífico muito maior do que o petróleo ou o carvão. Ou seja, mais calor produzido por unidade de combustível. Em segundo lugar, é o combustível mais limpo, pois emite 30 % menos dióxido de carbono em comparação com e 45% menos em comparação com o carvão. Em terceiro lugar, o gás é mais eficiente para o transporte, via gasodutos.

Para ler o restante Pravda.Ru



Sobre os presos políticos dos EUA o PIG não fala


Prisão de Guantánamo, exemplo de respeito aos Direitos Humanos para o PIG


O PIG em peso se solidariza com meia dúzia de mercenários que fazem greve de fome em Cuba, a soldo da CIA. Sobre o histórico de violência política dos estadunidenses contra seus presos políticos a mídia servil não diz uma palavra. Desde os tempos do macartismo os EUA passam por cima dos direitos humanos, perseguem, prendem e encarceram indiscriminadamente. Até presidentes são eliminados, quando não servem aos propósitos do Pentágono. Ainda assim, nossa mídia corporativa segue tendo os EUA como exemplo de democracia e liberdade de expressão, e sempre ecoam suas campanhas sujas contra os inimigos da vez, sobretudo Cuba, eterno alvo da CIA.




Os presos políticos dos Estados Unidos

Os Estados Unidos, muito preocupados em transformar presos comuns cubanos em patriotas, mediante uma campanha mediática mundial, resulta ser um evidente desconhecedor dos direitos humanos dos presos políticos que estão em seus presídios.

Em muito pouco tempo milhões de palavras foram escritas ou pronunciadas nos meios de difusão controlados por Washington para apoiar essa arremetida contra Cuba, na qual participam os setores latino-americanos e europeus mais conservadores.

Tem sido muito difícil aos organizadores de tal campanha conseguir convencer sobre o caráter patriótico de pessoas que se desgarram de uma sociedade baseada na justiça social para alinhar-se, por interesse econômico, com aqueles que querem destruí-la.

Além disso, o tratamento recebido por verdadeiros presos políticos nos Estados Unidos, encarcerados por causas relacionadas com a luta contra a desigualdade, a exploração, o terrorismo ou a opressão é bastante conhecido.

Casos emblemáticos são, por exemplo, os dos estadunidenses Mumia Abu-Jamal e Leonard Peltier, o primeiro com uma pena de morte ainda não executada, mas que está aguardando há 27 anos em uma cela de isolamento e o segundo que foi condenado a duas cadeias perpétuas pela falsa acusação de ter assassinato dois agentes do FBI.

Abu-Jamal, jornalista e ex-militante do movimento Panteras Negras, denuncia continuamente as condições carcerárias subumanas na quais vive e Peltier, com problemas de saúde graves e dolorosos, também as sofre e não conhece clemência.

E o que dizer das notícias difundidas sobre a chegada de um grupo de cinco homens na Geórgia e na Suíça que foram seqüestrados e, durante oito anos, sofreram tortura e prisão na prisão de Guantánamo, libertados agora sem acusação nem julgamento por serem inocentes.

Nessa instalação repudiada ainda estão outras 183 pessoas, às quais não se pôde provar nenhum delito e já passaram uma década de suas vidas isolados do resto do mundo e sem direito legal algum por decisão expressa do governo estadunindense.

Da mesma maneira se encontra o grupo de uma dezena de independentistas porto-riquenhos condenados até 105 anos de privação de liberdade, que denunciam as visitas restringidas de suas famílias, que são privados de comunicação entre eles e, inclusive, de participar do funeral de um familiar.

Presos políticos são, sem sombra de dúvidas, os cinco antiterroristas cubanos que receberam desproporcionadas penas por terem se infiltrado nos grupos violentos de origem cubana radicados na Flórida, precisamente para evitar ações terroristas contra seu país.

Antonio Guerrero, René González, Fernando González, Ramón Labañino e Gerardo Hernández sofrem não só essas sanções injustas, senão também a crueldade de serem impedidos de contato com seus familiares. Um deles está impedido há 11 anos da visita de sua esposa e outro durante vários anos sequer pode ver sua filha.

A história destes homens nas prisões estadunidenses passa por celas solitárias durante longos períodos de tempo, haver sido separados em centros penitenciários de diferentes estados e julgamentos cheios de ilegalidade com limitações a sua defesa.

De nada valeram os pedidos de 10 Prêmios Nobel e centenas de personalidades políticas e culturais, organizações de direitos humanos, congressos e governos de diversos países e até sentenças de agências da ONU, que declararam que a detenção e julgamento dos mesmos foi arbitrária.

Neste caso, nas administrações estadunidenses pesaram mais os sentimentos de rancor com uma Cuba independente que os pedidos provenientes do mundo todo pela libertação dos CINCO, como ficaram conhecidos internacionalmente.

Esta série de exemplos põe em crise toda a tentativa de um acusador sem moral de apresentar esta nação caribenha como violadora dos direitos humanos, os quais respeita escrupulosamente.






quarta-feira, 24 de março de 2010

ARGENTINA LEMBRA ANIVERSÁRIO DE GOLPE MILITAR COM MANIFESTAÇÕES



NUNCA MAIS!




A Argentina lembra hoje do 34º aniversário do golpe militar que instaurou a ditadura no país com atos públicos, o tradicional slogan "Memória, verdade e justiça" e o aprofundamento do debate sobre genocídio e sua prevenção.
Entre as atividades convocadas para a data está um evento musical organizado pela Associação das Mães da Praça de Maio -- entidade criada por mulheres que buscam informações sobre seus filhos desaparecidos durante o regime, que foi de 1976 até 1983.
A iniciativa tem o lema "Não puderam apagar tanto fogo, e no cenário da Revolução do Bicentenário arderá nossa cultura", que faz referência aos 200 anos do início das lutas para a independência da Argentina.
Várias organizações humanitárias relacionadas a vítimas da ditadura marcharão ao centro de Buenos Aires gritando "Por um Bicentenário sem impunidade, julgamento e castigo já". A exigência de imputação de culpa aos acusados também será o tema de protestos de outros organismos, que farão passeatas.
Na rede social Facebook, os usuários propuseram deixar vazio o lugar da foto pessoal em homenagem às 30 mil pessoas que sumiram durante o regime.
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, entregará a quatro pais de desaparecidos o décimo primeiro prêmio "Azucena Villaflor" (uma das fundadoras da Associação das Mães da Praça de Maio e também vítima da ditadura).
O secretário de Direitos Humanos do país, Eduardo Luis Duhalde, assinalou à ANSA que os atos em recordação ao golpe militar de 24 de março de 1976 demarcam a "necessidade de uma reflexão profunda".
"Memória é, além da recordação do horror, a exaltação dos valores que o terrorismo de Estado tentou suprimir e, em particular, um compromisso com o futuro", afirmou ele.
Já o consultor em Direito Internacional da Secretaria de Direitos Humanos, Rodolfo Mattarollo, falou à ANSA da localização e recuperação da identidade de 101 bebês roubados de suas mães, que haviam sido sequestradas e foram assassinadas logo após terem dado à luz na prisão.
Para ele, a ação mostra ao mesmo tempo a perversidade do plano sistemático da ditadura e "um exemplo concreto de atuação do direto à verdade graças à luta das Avós [da Praça de Maio, organização de mulheres que buscam pelos netos desaparecidos]".
Ele recordou que a Argentina propôs à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas "o reconhecimento do direito à verdade como um direito humano" em 2005. Agora, Mattarolo levou ao Conselho de Direitos Humanos da organização a proposta de tornar esta prerrogativa legal um instrumento da ONU.
"Esperamos que em breve avance a ideia de uma Declaração sobre Memória e Verdade" para a Assembleia Geral da entidade, destacou o especialista.
Ele explicou que a memória se refere à "demarcação e a preservação de locais emblemáticos" como campos de sequestro, tortura e extermínio, enquanto que a verdade inclui "desclassificar documentos, preservar arquivos, proteger testemunhas, querelantes, juízes e promotores" para que a sociedade tenha acesso ao que aconteceu.



terça-feira, 23 de março de 2010

Uniban inaugura curso sacolão



Aqui em São Paulo existem aqueles sacolões de frutas e verduras em que você entra, enche a bacia com o que quiser e paga por quilo. A Unitaliban transportou esse modelo de comércio para a educação. Parece piada, num curso de dois anos você garante bacharelado, licenciatura, mestrado, doutorado, pós-doutorado... Lipo, faixa preta, bronzeamento artificial, tratamento capilar, prótese peniana, uma viagem para Disney, um final de semana na Ilha de Caras, um jantar com Reinaldo Gianecchini, etc, etc, etc. É Universidade ou é Show do Milhão? Até que enfim o MEC tomou providências, esses caras tão de sacanagem, educação não é feira, não é sacolão, não é baciada.

Estadão

MEC obriga Uniban a suspender oferta de cursos integrados

Instituição poderá ser descredenciada caso não cumpra com as exigências


A Secretaria de Ensino Superior (Sesu), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), determinou ontem que a Uniban suspenda a oferta dos "cursos integrados", que unem sequencial (com formação específica), graduação e pós-graduação.

A secretaria considerou irregular o modelo de ensino adotado este ano pela universidade, que prevê, em média, dois a três anos de curso sequenciado (com oferta de certificados e diplomação superior), diploma de graduação para os que concluírem a formação regular (bacharel ou licenciatura) e o título de especialização ainda no último ano de estudo da graduação para os que cursarem a pós lato sensu.

De acordo com o despacho da pasta, publicado ontem no Diário Oficial da União, há "desvirtuamento das normas da educação superior, no que se refere à oferta de cursos sequenciais, e ao seu aproveitamento para a realização de cursos de graduação e de pós-graduação". A Uniban foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou.

Os alunos que já ingressaram por esse modelo deverão cumprir os conteúdos e as cargas horárias de um dos níveis de formação superior. Como a escolha foi pela graduação, precisarão cumprir a carga horária de 2,4 mil horas e não terão direito à diplomação superior ou a cursar a especialização antes de se formarem.

O prazo para que a Uniban se ajuste aos termos do despacho termina no dia 30 de abril. Caso não cumpra as exigências, a Sesu determinará a abertura de um processo contra a entidade, que poderá terminar em descredenciamento. De acordo com o censo universitário, a instituição é a quinta maior do País em número de matrículas, com 55.674 registradas em 2008.

Medidas de saneamento. Além de acabar com os cursos integrados, a Sesu determinou que a Uniban revise os conteúdos curriculares e a carga horária de cada um dos cursos integrados - que são a maioria entre os 76 disponíveis, como a própria universidade anuncia em sua página na internet. Também exigiu que o processo seletivo seja desmembrado entre sequencial, graduação e especialização.

A universidade terá de divulgar de forma detalhada o tipo de curso que oferece, a titulação que cada um dá direito, a matriz curricular e a carga horária de cada um. A Sesu pediu um cadastro atualizado de todos os cursos da Uniban.

Os ofícios do processo contra a instituição serão enviados para a Procuradoria da República em São Paulo e para o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, para que cada órgão estude a adoção de medidas. A Secretaria de Educação Tecnológica verificará a regularidade de cursos integrados entre os tecnólogos, que somam ao menos seis. Segundo o Ministério Público Federal, há quatro procedimentos contra a Uniban.

A Uninove, que trabalha com o mesmo modelo de ensino há pelo menos três anos, também está sendo averiguada pelo MEC. "A instituição está respondendo os questionamentos", disse a secretária de Ensino Superior, Maria Paula Dallari Bucci.

PARA ENTENDER

1. O que é graduação?
Forma bacharel, licenciatura e tecnólogo com carga horária mínima de 2,4 mil horas. Gradua para uma profissão. Permite cursar pós lato sensu, mestrado e doutorado.

2. E diplomação superior?
Formação específica com carga de 1,6 mil horas. Certifica para uma função. Permite cursar pós lato sensu.



De Uso Ritual ou como Compulsão Destrutiva, as Drogas Pedem um Novo Paradigma, diz Especialista



Henrique Carneiro, professor do Departamento de História da USP




O assassinato chocante do cartunista Glauco Vilas Boas e seu filho Raoni no dia 12 reabriu o debate sobre violência e drogas no País. Ao longo da semana, as investigações trouxeram detalhes que deram contorno à tragédia: o assassino, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, era um rapaz de classe média. Tinha histórico de problemas mentais na família. E frequentara o templo Céu de Maria – onde Glauco ministrava o chá do santo-daime – para se livrar do vício em maconha e cocaína.

Para Henrique Carneiro, professor de História da Universidade de São Paulo (USP) e fundador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), encontram-se no caso Glauco facetas distintas do fenômeno da droga. De um lado, seu uso ritualístico – recentemente autorizado no Brasil pelo governo federal. De outro, seu caráter compulsivo em uma sociedade marcada pelo consumismo.

Na entrevista abaixo, Carneiro, organizador, entre outros, de Drogas e Cultura: Novas Perspectivas (EDUFBA, 2008), defende que as substâncias psicoativas, sejam elas remédios, drogas lícitas ou ilícitas, sejam tratadas de igual maneira: “Todas legalizadas e submetidas a controle severo”.

Como entender os significados distintos que têm a droga no mundo de hoje?

Em primeiro lugar, há um fenômeno contemporâneo de exacerbação do uso não apenas de drogas. É bom destacar: em relação à alimentação, o processo é análogo. Há um mal-estar da cultura contemporânea ligado ao fenômeno da publicidade, à difusão consumista de uma série de produtos, que faz com que drogas, remédios, comida, tudo aquilo que o corpo ingere tenha uma faceta compulsiva. Outro fenômeno é a espiritualização, digamos assim, de um certo consumo de drogas a partir da influência de tradições religiosas indígenas ou ligadas a uma mística oriental – uma herança da contracultura no pós-guerra. Ambas se encontram no caso Glauco.

De que maneira?

Na medida em que a busca por religião, seja de tipo new age ou tradicional, está muito ligada ao sofrimento psíquico. As religiões recrutam uma parcela de sua clientela entre os setores que mais sofrem na sociedade. Entre eles, usuários de drogas. Tem sido oferecido, não só pelo daime, mas também pelas igrejas evangélicas, uma espécie de salvação dos problemas terrenos pela devoção. Desde o início, a igreja do Glauco tinha sensibilidade para isso. Ele foi iniciado no daime pelo irmão do Frei Betto (o psicólogo mineiro Léo Christo), que fazia um trabalho assistencial com o daime para a população de rua. Há relatos de pessoas que deixaram de beber ou se drogar pelo uso ritual do daime.

Há informações de que o assassino é filho de mãe esquizofrênica e teria histórico de problemas psiquiátricos. Isso deveria ter sido levado em conta?

As religiões ayahuasqueiras em geral fazem um processo de seleção, perguntam se a pessoa toma remédios controlados ou é suscetível a alguma perturbação psicótica – casos em que, obviamente, não é recomendado o consumo do santo-daime.

No início deste ano o governo legalizou seu uso. Houve quem dissesse que a medida abre uma brecha ao tráfico. Há esse risco?

É o oposto: a manutenção em alguma forma de clandestinidade é que tornaria o tráfico atrativo. O daime e outras religiões ayahuasqueiras são legados em certa medida da tradição dos anos 60, que resistem a essa tendência de uso profano, alienado, destrutivo de drogas. No Acre ele é uma verdadeira instituição e passa por um processo semelhante ao dos cultos afro-brasileiros: há uma assimilação tardia de sua herança indígena pela cultura brasileira. Mas um aspecto para o qual ninguém está chamando a atenção é o uso abusivo de remédios farmacêuticos. O número de farmácias no Brasil é superior ao recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O segundo medicamento mais vendido no País (o número 1 é o contraceptivo Microvlar) é o Rivotril, um benzodiazepínico que só pode ser consumido de forma criteriosa. Alguém perguntou se o rapaz estava sob efeito ou carência de medicação controlada?

Mas faz sentido tratar drogas lícitas e ilícitas da mesma maneira?

Existem três circuitos de circulação de psicoativos no mundo. As drogas lícitas, recreacionais, como álcool e tabaco; as ilícitas, como maconha e cocaína; e os medicamentos farmacêuticos. E não há na realidade uma fronteira conceitual entre as três. Tanto que muitas foram, em diferentes momentos da história, remédio, substância proibida ou permitida. O álcool, por exemplo: vinho era remédio, depois foi banido e agora é recreacional. A maconha foi livre, então proibida e, recentemente, usada como medicamento. A heroína, na primeira vez que foi lançada, era remédio de tosse para crianças – registre-se que não houve qualquer epidemia de dependência entre elas, pois os pais davam e depois paravam de dar. Portanto, há interesses comerciais e culturais em jogo. Certas substâncias fazem parte da identidade de um povo; outras são vistas como alienígenas. A cannabis era droga de negros no Brasil, de árabes na Europa e de mexicanos nos EUA. A cultura islâmica condena violentamente o álcool, mas tolera derivados de cannabis. Já para nós o vinho é o sangue de Cristo. É preciso equalizar esses três circuitos: todas as drogas tinham de ser legalizadas e submetidas a controle mais severo.

Nas últimas décadas, o tráfico avançou no mundo e deitou tentáculos nos três poderes. É hora de defender uma abordagem liberal?

Há um raciocínio seletivo que deixa de fora substâncias que também causam dependência. E a proibição não é feita por um critério de saúde pública, se são mais perigosas ou perniciosas. Na relação álcool/tabaco versus maconha, a lógica é a inversa. Por isso está havendo hoje uma completa revisão de paradigmas por parte da elite pensante. Três ex-presidentes, Fernando Henrique Cardoso, César Gaviria (da Colômbia) e Ernesto Zedillo (do México, que integram a Iniciativa Latino-Americana sobre Drogas e Democracia) se insurgiram contra a política de drogas global. O próprio Obama está tomando medidas. Até o fim deste ano poderá ocorrer na Califórnia a legalização total da maconha a partir de um plebiscito. O debate nunca esteve tão em voga, porque a crise econômica, o esgotamento da “guerra contra as drogas”, o maior índice de violência que ela causa, o inchaço do sistema penitenciário de vários países, tudo está fazendo com que se revejam pressupostos. Algo semelhante ao que ocorreu no final da Lei Seca, nos EUA.

E como seria essa ‘legalização com controle severo’ que o senhor defende?

Em primeiro lugar, não deveria haver publicidade. De qualquer tipo: cigarros, bebidas ou remédios. Também sou favorável às leis que limitam o consumo em lugares onde terceiros são afetados, como a do tabaco em local fechado. Os bafômetros estão por aí, mas o governo foi leniente e manteve a venda de álcool em beira de estrada. Acho que deveria haver maior severidade também com relação às consequências do uso irresponsável de drogas. Não é possível que ninguém vá preso por dirigir embriagado. Na mesma semana em que Glauco foi morto, um maluco dirigiu 20 quilômetros na contramão da rodovia Raposo Tavares e matou um casal. Outro jogou o carro em cima de uma criança de 8 meses num parque.

No caso das drogas ilícitas, o Estado teria condições concretas de oferecê-las e fiscalizar seu consumo?

Creio que o modelo de controle do álcool e tabaco poderia ser, em forma mais severa, o mesmo para as demais substâncias psicoativas. Cada uma, é claro, com normas específicas. Maconha, cujo risco é menor, poderia ter uma forma mais branda, com permissão de uso privado e autoplantio. Outras só seriam vendidas com registro e autorização para o comprador, como ocorre com alguns remédios controlados.

E qual a garantia de que o tráfico não continuaria ativo, fornecendo drogas em paralelo?

Com a venda pelo Estado de produtos com pureza e dosagem definidas, o atrativo comercial para o tráfico diminuiria. O que não quer dizer que desaparecesse, pois mesmo com cigarros e bebidas continua havendo contrabando. Ainda assim, sem o potencial de violência intrínseca que o comércio exclusivamente clandestino acarreta.

A internet contribui para a cultura da droga?

A internet democratiza o que era antes uma informação muito especializada. Hoje, as informações botânicas e farmacológicas de ponta estão disponíveis para qualquer adolescente. As drogas se incorporaram como verdadeiras próteses de um estilo de vida autoproduzido quimicamente. Tornaram-se uma “tecnologia de si”, em que o ser humano controla seu estado de humor, suas emoções, seu nível de atenção e seu sono. É um arsenal cujo uso pode ser pertinente, mas oferece riscos.

Mudou o modo como drogados são vistos?

O alcoolismo, no século 19, era visto como falta de uma virtude cardeal: a temperança. Os alcoolistas seriam pessoas com um problema moral. Aí, surge uma segunda visão, organicista, que refuta: “É doença física”. O pessoal dos Alcoólicos Anônimos até hoje defende que há uma parcela da população com tendência genética de vulnerabilidade ao álcool. Isso foi superado por uma terceira vertente, psicológica ou psicobiossocial, tributária da psicanálise. Para ela, a questão é contextual, envolve múltiplos fatores – desde familiares, problemas materiais e espirituais da formação do indivíduo, a sociais, relativos à taxa de desemprego, até culturais, de populações ou grupos mais ou menos vulneráveis ao consumo compulsivo.

Daí a dificuldade de um aparato jurídico adequado? Essa semana se discutia se o destino do jovem que matou Glauco seria a prisão ou o manicômio judiciário.

Desde a época clássica há uma visão de que a embriaguez é um agravante. A famosa lei de Pítaco, na Grécia, dizia que crimes cometidos em estado alterado deveriam ser punidos em dobro. Depois veio a de Santo Tomás: se a embriaguez não foi deliberada, não é agravante, mas atenuante. Essa é, portanto, uma discussão milenar. E é preciso repensá-la hoje, levando em conta o interesse tanto da indústria farmacêutica quanto da indústria do tráfico.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Acesso à Internet aumentou 900% com a Revolução Bolivariana







Desde a chegada da Revolução Bolivariana, o número de pessoas com acesso à Internet aumentou 900%. No ano 2000, apenas 820 mil eram usuários de serviços, enquanto que em 2009, esse número chegou a 7 milhões, 552 mil, 570 pessoas, demonstrando o processo de democratização da tecnologia da informação conduzido pelo Governo Nacional.

"Ao invés disso, percorre o mundo a notícia falsa de que nós estamos tentando destruir a Internet, não vamos restringir o serviço, nós temos uma estratégia central que é a transferência de poder para o povo, e o mais importante dos poderes é o conhecimento ", disse no domingo o Presidente da República venezuelana, Hugo Chávez, durante seu programa Alô Presidente número 354, que tem lugar na Biblioteca Nacional, em Caracas.

Ele também observou que em 2000 o serviço de internet tinha 273 mil assinantes, enquanto em 2009 este valor situava-se em 1 milhão, 585 mil, 497 inscritos, representando um crescimento de quase 500%.

Esta informação foi prestada pelo Chefe de Estado na abertura de 24 novos centros de informação em todo o país, como parte do relançamento do Projeto Infocentros, que inclui agora 668 novos centros.


O presidente indicou que estes centros têm capacidade para servir mais de dois milhões de pessoas por ano, o que permitiu chegar a 10 milhões de usuários até 2009, e iniciar o processo de democratização do acesso aos venezuelanos a Internet.



José Serra: estamos fazendo uma revolução silenciosa, mas eficaz, no sistema de ensino estadual



Os principais projetos educacionais de Serra para São Paulo, e futuramente, para o Brasil





Em meio a greve e manifestações, Serra afirma fazer “revolução silenciosa” na educação



“Estou convencido de que estamos fazendo uma revolução silenciosa, mas eficaz, no sistema de ensino estadual”, (é pra rir? Serra devia tentar a sorte no stand-up comedy) afirmou José Serra (PSDB) durante cerimônia realizada hoje a tarde, 22/03, no Palácio dos Bandeirantes, onde anunciou o pagamento do Bônus por Resultado de 2010, na presença de uma platéia composta por 300 educadores (300 picaretas e puxa-sacos, a vergonha da classe). Os convidados aplaudiram (claque) o discurso do governador e do secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza (um gangster). Serra aproveitou para dizer ainda que a sua gestão “vai marcar época” (isso eu concordo, assim como a gripe espanhola marcou), frente ao ensino, já que pagará bônus (suborno sujo) aos funcionários de escolas estaduais por bom desempenho. Esse é o segundo ano em que o estado paga o benefício, que custará R$ 655 milhões (que poderiam ser investidos na educação, de verdade) aos cofres públicos.

Para o governador, sua gestão foi capaz de resolver “questões seculares” (?) da Educação, como a progressão da carreira do magistério. Em 2009, ele instituiu o Programa de Valorização pelo Mérito, que concede reajuste de 25% a até um quinto dos professores a cada ano (conversa pra boi dormir). O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) é contra a política de concessão de bônus e a valorização pelo mérito, já que não atendem a maior parte da categoria.

Mesmo com uma greve de professores, que atinge 60% das escolas da rede pública estadual e duas manifestações na principal avenida da cidade, o governador José Serra, virtual candidato à presidência da República, fez questão de ignorar o movimento e deixou o evento sem falar com a imprensa (ele só fala pro CQC, pra Lucianta Gimenes e pro Fantástico). Na ocasião, o secretário Paulo Renato descartou qualquer possibilidade de reajustar os salários dos professores – fator determinante para a paralisação – por que, segundo ele, desconhece (assim como tudo o que está relacionado a educação paulista) “quais são efetivamente as reivindicações da Apeoesp”.