terça-feira, 23 de novembro de 2010

FMI pede que Irlanda reduza salário mínimo e auxílio-desemprego

Em suma, é isso que o FMI está querendo do povo irlandês  




A Irlanda deveria reduzir gradualmente os benefícios aos desempregados e cortar o salário mínimo para impulsionar o emprego, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) em documento divulgado na segunda-feira.
O documento - aprovado por Ajai Chopra, chefe do FMI nas negociações dos termos do pacote de resgate com a União Europeia (UE) em Dublin - disse que a Irlanda deveria implementar requisitos mais rígidos para a busca de trabalho, dar mais recursos a agências de emprego para promover a assistência aos desempregados e reavaliar o nível do salário mínimo para torná-lo mais condizente com a queda geral dos pagamentos.
O FMI também pediu que a Irlanda melhore a competitividade para promover as exportações como forma sustentável de crescimento, reformando os sistemas de planejamento e licenciamento da indústria e concentrando os recursos públicos em projetos de alta prioridade.
As recomendações dispostas nas 25 páginas do documento vêm em meio a negociações da Irlanda com a UE e o FMI sobre um pacote de resgate multibilionário ao setor bancário do país.
Não ficou claro se o relatório foi completado antes ou depois de Dublin convidar a missão da UE e do FMI para discutir a ajuda financeira, na semana passada.

Entenda

O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, disse no dia 21 de novembro que o seu país e a União Europeia (UE) fecharam um acordo por um empréstimo para equilibrar as contas públicas irlandesas. Cowen afirmou que os detalhes do acordo seriam negociados nos dias seguinte. Segundo o ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan, a quantia será inferior a 100 bilhões de euros (R$ 235 bilhões) e será usada para diminuir o déficit orçamentário do país para 3% do PIB até 2014.
Em comunicado conjunto, os ministros europeus das Finanças elogiaram o pedido irlandês por auxílio e disseram ter concordado em fornecer empréstimos ao país. Segundo o grupo, o dinheiro virá de fundos geridos pela UE e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Outros países, como a Suécia e a Grã-Bretanha, indicaram que poderão fazer empréstimos adicionais à Irlanda, segundo o comunicado.
A Irlanda vinha sendo forçada por vizinhos europeus a pedir ajuda financeira. O pedido é uma reviravolta para o governo irlandês, que no início da semana passada afirmara que o empréstimo era desnecessário. O país tem gastado cerca de 19 bilhões de euros (R$ 45 bilhões) a mais do que tem recebido em receitas, e os seus bancos também precisam de uma grande injeção de dinheiro. O governo irlandês será o segundo país a receber um empréstimo da UE e do FMI para combater os efeitos da crise.
Em maio, a Grécia negociou um pacote de 110 bilhões de euros, a serem repassados ao longo de três anos. Agora as atenções se voltam para Portugal, outra economia da zona do euro com alto nível de endividamento.
Países como Irlanda e Portugal vivem situação preocupante para lidar com seus déficits. O ministro das Finanças português, Fernando Teixeira dos Santos, disse ao Financial Times que há um risco enorme de que seu país seja obrigado a buscar ajuda internacional, pois os mercados estão considerando Grécia, Irlanda e Portugal como um único conjunto.



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