domingo, 22 de novembro de 2009

CAOS: O transporte público em São Paulo



Estação Sé do Metrô, São Paulo

E em janeiro a passagem de ônibus vai subir para dois reais e cinquenta e a de trem e metrô para dois e setenta.


Superlotação, tarifas elevadas, trânsito e reduzida prioridade por parte dos governos municipal e estadual no cotidiano dos cidadãos paulistanos

Michelle Amaral - Brasil de Fato


Matilde Soares leva cerca de duas horas para ir de sua casa até o trabalho. No percurso de Ferraz de Vasconcelos, município localizado na região leste da Grande São Paulo, até o bairro do Tucuruvi, zona norte da capital, a auxiliar de serviços gerais utiliza quatro meios de transporte coletivo: pega lotação até a estação de trem de Ferraz de Vasconcelos de onde segue para o centro; na Estação Luz faz integração com o metrô e vai até a Estação Tucuruvi; finalmente, pega um ônibus para chegar à fabrica na qual trabalha.


“É muito cansativo, vou em pé de casa até o serviço”, conta a trabalhadora de 43 anos, mãe de três filhos, viúva e que depende do emprego para sustentar a família. Matilde faz esse percurso diariamente há cerca de cinco anos e relata que, apesar de terem acontecido melhoras no transporte coletivo de São Paulo, como a integração na Estação da Luz do metrô com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do desconto nas passagens através do bilhete único, “ainda falta muito a ser feito pelo trabalhador”.


“Nos horários que vou para o trabalho e volto para casa a condução é muito cheia. À tarde, então, na troca de trem que a gente faz em Guaianazes, já me machuquei várias vezes, é um empurra-empurra, o trem que vai para Mogi demora a chegar, depois demora a partir, os trens que vêm da Luz não param de chegar, as plataformas vão ficando lotadas. É um descaso muito grande o que fazem com a gente”, afirma. A integração citada por Matilde é feita na Estação Guaianazes, da CPTM, entre o Expresso Leste, que vem da Estação Luz, e a linha 11-Coral, com destino à Estação Estudantes, em Mogi das Cruzes.


As dificuldades enfrentadas por Matilde na utilização do transporte coletivo não se restringem somente à cidade de São Paulo, como também não são únicas do sistema sobre trilhos. Elas se repetem na vida de muitos outros trabalhadores, seja na superlotação do transporte coletivo em geral, principalmente nos horários de pico, como no valor elevado das tarifas ou no trânsito enfrentado por aqueles que utilizam ônibus.


No caso da cidade São Paulo, na avaliação de especialistas, a situação do sistema de transporte coletivo é caótica e falta atenção dos governos municipal e estadual para o setor, que acabam priorizando o transporte individual através de grandes obras na malha viária da capital.


João Arruda, de 59 anos, indigna-se ao falar sobre o transporte público paulistano. Para o aposentado, há uma falta uma organização da população para cobrar os seus direitos daqueles que ela mesma elegeu. “Enquanto nós continuarmos aceitando esse tipo de descaso, a situação não vai mudar”, protesta.


Políticas públicas

Arruda afirma que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM), “não estão preocupados com o povo e, por isso, a situação do transporte público está desse jeito”.


Wagner Gomes, presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo e da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), avalia que “o transporte público em São Paulo chegou à beira do colapso, tanto do ponto de vista dos ônibus, como de trens e metrô”.


A mesma opinião é compartilhada pelo ex-secretário municipal de transportes (1990-1992) na gestão Luiza Erundina e engenheiro, Lúcio Gregori, que acredita que o agravamento da situação faça com que talvez a questão do transporte coletivo seja priorizada pelos governos. Para ele, os meios coletivos são “problemas de políticas públicas”.


“Diferentemente da saúde em que a prevenção é o melhor caminho, nessa questão parece que será o quadro agudo que ajudará. Espero. Ou então suportaremos o insuportável. Fazer o que?”, relativiza.


Caminhos

Nesse sentido, Gregori aponta, por exemplo, como solução à questão da mobilidade através dos ônibus, a construção massiva de corredores, ao invés de se reservar mais espaço para os carros.

Já em relação à superlotação dos trens, tanto da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) como da CPTM, Wagner Gomes alega que a solução é a expansão do sistema sobre trilhos. “Não dá para colocar mais trens. O intervalo entre trens no metrô, por exemplo, já é de 90 segundos, é mínimo. O que precisa é uma política de expansão”, defende.


No entanto, Lucas Monteiro, militante do Movimento Passe Livre de São Paulo, alerta que a expansão do sistema metro-ferroviário deve ser feita de modo a atender as necessidades da população. No caso do Programa de Expansão realizado por José Serra, o militante do MPL critica a falta de participação da população no traçado do projeto. “A população não participa das decisões sobre como essa expansão vai se dar, o que é extremamente problemático do nosso ponto de vista”, afirma.


Tarifa zero

Monteiro pondera que, além de se realizar a ampliação da oferta de transporte público, é necessário também que o sistema seja acessível a toda a população. Para ele, a gratuidade do serviço, principal bandeira do MPL, é uma das medidas mais importantes a serem tomadas.


Ele conta que o movimento busca conscientizar a população sobre o direito ao transporte e a cobrança de tarifas. “Talvez essa seja a nossa maior dificuldade, porque as pessoas acham natural pagar pelo transporte, algo que é completamente não natural”, relata. Segundo o movimento, o transporte é um direito da população, já que trata-se de um serviço público, igual à saúde e à educação, e deveria ser custeado de outras formas, ao invés de onerar o usuário do momento da utilização.


sábado, 21 de novembro de 2009

Dois Documentários



A produção de documentários no Brasil está cada vez mais profícua, muitos documentaristas estão se propondo a contar a História brasileira de forma crítica, bem distante da Ditabranda da Folha e das vulgaridades da Rede Globo. A história de Manuel Fiel Filho está sendo exibida em forma de documentário no Festival de Brasília, Eduardo Escorel irá mostrar em doc a trajetória do grande cineasta Leon Hirszman, autor de "Eles Não Usam Black-tie". E parece que está para estrear em circuito comercial "Cidadão Boilensen", de Chaim Litewski, vencedor do festival "É Tudo Verdade". A safra é muito boa.

Sarney, FHC e Jarbas Passarinho são vaiados em documentário sobre Manoel Fiel Filho

ALESSANDRO GIANNINI
Editor de UOL Cinema, enviado especial a Brasília*
O documentário "Perdão, Mister Fiel", de Jorge de Oliveira e co-direção de Pedro Zoca, causou polêmica na noite desta quinta (19), no 42o. Festival de Brasília. O longa-metragem brasiliense que concorre na mostra competitiva reconstitui, por meio de encenações dramáticas e depoimentos, a morte do operário Manoel Fiel Filho em setembro de 1976, nos porões do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.
  • Reprodução

    "Perdão, Mister Fiel" reconstitui a morte do operário Manoel Fiel Filho


O assassinato de Fiel Filho pelos agentes da repressão deflagrou a mudança de comando do Segundo Exército pelo presidente Geisel e iniciou o processo, lento e gradual, que levaria à redemocratização do país. Por várias vezes, alguns dos personagens que dão depoimento no filme foram vaiados, como os ex-presidentes José sarney e Fernando Henrique Cardoso, além do ex-ministro Jarbas Passarinho.



Convite CPDOC
CONVITE PARA SESSÃO

Documentário sobre o diretor do Cinema Novo, Leon Hirszman, realizado por seu amigo e companheiro de trabalho. O filme refaz a trajetória do cineasta através de sua obra e de imagens de arquivo. Usando inúmeros depoimentos do próprio Leon, Eduardo Escorel traça a síntese das esperanças e das frustrações de toda uma geração.

O debate contará com presença do diretor Eduardo Escorel.

O Cineclube FGV é uma iniciativa ligada à Pós-Graduação em Cinema Documentário da FGV. As sessões são gratuitas e abertas ao público.

Deixa que eu falo
Direção: Eduardo Escorel

26 de novembro, quinta-feira, às 19h
Local: Fundação Getulio Vargas - Sala 305 (3º andar)
Praia de Botafogo 190, Rio de Janeiro

A FGV não permite o acesso
de pessoas com shorts ou bermudas nem com sandálias tipo havaiana.
CPDOC/FGV
Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, 14° Andar - Botafogo • Rio de Janeiro • 22253-900
Internet: http://www.fgv.br/cpdoc




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Três Homenagens a Zumbi



Zumbi

Jorge Ben Jor


Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há
Um princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados num carro de boi
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Dum lado cana de açúcar
Do outro lado o cafezal
Ao centro senhores sentados
Vendo a colheita do algodão tão branco
Sendo colhidos por mãos negras
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
È senhor das demandas
Quando Zumbi chega e Zumbi
É quem manda
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver

Zumbi

Gilberto Gil


Zumbi, comandante guerreiro
Ogunhê, ferreiro-mor capitão
Da capitania da minha cabeça
Mandai a alforria pro meu coração


Minha espada espalha o sol da guerra
Rompe mato, varre céus e terra
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira
Do maracatu, do maculelê e do moleque bamba


Minha espada espalha o sol da guerra
Meu quilombo incandescendo a serra
Tal e qual o leque, o sapateado do mestre-escola de samba
Tombo-de-ladeira, rabo-de-arraia, fogo-de-liamba


Em cada estalo, em todo estopim, no pó do motim
Em cada intervalo da guerra sem fim
Eu canto, eu canto, eu canto, eu canto, eu canto, eu cantoassim:


A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!


Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu grande terreiro, meu berço e nação
Zumbi protetor, guardião padroeiro
Mandai a alforria pro meu coração


O Rei Zumbi

Zafrica Brasil


A violência dos opressores, que os faz também desumanizados, não instaura uma outra vocação, a do ser menos
Como distorção do ser mais,

o ser menos leva os oprimidos,

cedo ou tarde, a lutar contra quem os fez menos
E esta luta somente tem sentido quando os oprimidos,

ao buscar recuperar sua Humanidade,

que é uma forma de criá-la,

não se sentem idealistamente opressores,

nem se tornam de fato, opressores dos opressores,

mas restauradores da humanidade em ambos.

(Paulo Freire).


(silêncio! está nascendo um deus negro).

Salve o rei, salve o rei Zumbi
Salve o rei Zumbi, salve o rei…

Zumbi, o último guerreiro, o deus da guerra o rei de todos os negros
Irmão e dono do mar, o mais poderoso dos gênios
Zumbi-zumbi, oia Zumbi
Veio a terra pra chefiar a liberdade dos negros

Quilombola brasilificado nos mocambos, filho dos quilombos na senzala escura.
E fria, vive uma esperança, em meio aos banzos ainda persiste um sonho.
Zumbi-zumbi, oia zumbi, salve o deus negro pra uma sua ressurreição, pra outros um pesadelo.

Um vendaval,

todos diziam que zumbi era imortal
O tambor e canto de louvação.
Aos deuses, lhe afastava de todo mal
Jamais se renderia a uma guerra
Jamais.
Deixaria seu povo, sua história, a sua terra

A raiz implantada ultrapassou os elos da vida
A canção da velha África
Nunca foi esquecido, o dialeto cântico de magias e profecias
Zumbisticas.

Não só penso na liberdade de palmares, ainda há senzalas por todos os lados.
Não se trata somente viver livre, mais sim de libertar os ainda escravos.

O negroado, Rei Zumbi, o capitão mouro da salvação
Cada negro que se liberta,

liberta um milhão
A batalha final está chegando, precisaremos ir até
O fim
Quem pertencer a palmares iras morrer em liberdade

Salve o rei Zumbi


Salve o Rei, salve o Rei Zumbi.
Salve o Rei Zumbi, salve o Rei.

Salve o Rei, salve o Rei Zumbi.
Salve o Rei Zumbi, salve o Rei.

Zumbi, não apareceu por acaso foi um predestinado a resistência de um herói.
Símbolo na libertação dos escravos
As guerras nas capitanias eram estratégias de combate
O grande reino negro tornou-se poderoso
Não subestime a força de palmares

He, palmares cresceu forte
Os orixás protegem a terra dos homens livres

Além da vida e da morte
O negro na mata encontrava-se com seus deuses
O bravo guerreiro palmarino se pactuava a proteger sua aldeia

Sua gente

Os tambores cadenciaram o canto e as danças
As tradições culturais,
A crença, a fé, a luta, a união e a esperança
São mandingas é manha; é malícia,
É força, e coragem
O feiticeiro negro ultramarino atacando entre terras e
Mares

Zumbi locomaniaco, assalta em mais um canavial sangrento
A palmatória e os açoites não foram camuflados e nem muito menos superado pelo o tempo
Capitão Zumbi entre lanças, tiros, flexas e armadilhas
O chicote dos feitores
Jamais lhe atingiria

Objeto sem alma sempre foi o dominador
A séculos vivemos em uma inquisição,

onde não definem o condutor
Nada foi e nem será por acaso,

Se existe um caminho existe um fim
Por isso a saga continua, salve o Rei Zumbi.

Salve o Rei, salve o rei Zumbi.
Salve o Rei Zumbi, salve o Rei.


Oia Zumbi-Zumbi-Zumbi (bis)
Os brancos jamais aceitaram a liberdade dos negros
E com a morte de Zumbi, poriam fim as lutas, mais não a escravidão.
Negros e brancos se perderam por entre o vermelho do sangue derramado em Palmares
E
ainda assim, todos os negros acreditavam na sobrevivência de zumbi,

Um guerreiro planeja sua liberdade.

Zumbi voltara para nos salvar,

Ele vai voltar
O deus negro não pode estar morto, ele é eterno.
Rezaremos pela sua salvação, pela sua ressurreição.
Zumbi vive, ele é eterno, e pro bem da nação, o rei de Palmares irá voltar.
Salve o rei zumbi, salve...salve!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Estado de São Paulo pratica pena de morte ilegal, diz estudo



http://virusplanetario.files.wordpress.com/2009/10/455819.jpg


É madrugada, parece estar tudo normal.
Mas esse homem desperta, pressentindo o mal, muito cachorro latindo.
Ele acorda ouvindo barulho de carro e passos no quintal.
A vizinhança está calada e insegura, premeditando o final que já conhecem bem.
Na madrugada da favela não existem leis, talvez a lei do silêncio, a lei do cão talvez.
Vão invadir o seu barraco, é a polícia!
Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia, filhos da puta, comedores de carniça!

Um Homem na Estrada, Racionais MC´s



Vermelho

Dossiê elaborado por diversas entidades ligadas ao combate à violência no país revela que a polícia do estado de São Paulo pratica a pena de morte, ainda que esse tipo de condenação seja ilegal no Brasil. Embora o estudo tenha se concentrado na análise do comportamento da polícia paulista, os organizadores do dossiê alertam que as conclusões da pesquisa não representam uma realidade apenas de São Paulo.

Como explica a historiadora Angela Mendes de Almeida, do Observatório das Violências Policiais de São Paulo, boa parte das constatações apresentadas no mapa de extermínio de São Paulo pode ser estendida para outros estados brasileiros.

O estudo, denominado Mapas do Extermínio: execuções extrajudiciais e mortes pela omissão do estado de São Paulo, revela que a polícia paulista tem usado a força letal de forma arbitrária e que o grau de extermínio de civis no estado é superior aos níveis mundiais aceitáveis.

As organizações trazem dados oficiais e extra-oficiais sobre o extermínio de civis feito por policiais em chacinas, em execuções sumárias aplicadas por agentes em serviço e fora de serviço e em mortes misteriosas de pessoas que se encontram sob custódia do Estado. As vítimas dessa “pena de morte extrajudicial” são, em sua maioria, jovens entre 15 a 24 anos de idade, moradores das periferias de grandes cidades, afrodescendentes e pobres.

“Mesmo que não tenhamos legalmente a pena de morte no Brasil, os dados apresentados no dossiê demonstram que está instituída uma pena de morte extrajudicial. A chance de um civil ser morto por policiais em São Paulo é muito superior do que em Nova York, por exemplo. No Brasil, existe uma política de enfrentamento de uso da força, que não tenta apenas imobilizar o suspeito, e sim matar”, conclui uma das responsáveis pelo documento, Gorete Marques, da ACAT-Brasil (Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura).

Leia a íntegra do dossiê Mapas do extermínio no estado de São Paulo

Cenário


A situação verificada em São Paulo repete-se em outros estados, como o Rio de Janeiro, por exemplo. Angela relembra o episódio do helicóptero da Polícia Militar carioca derrubado por traficantes durante operação no Morro do Macaco em outubro deste ano. Na ocasião, dois atiradores de elite da PM foram mortos, após os tiros vindos do morro atingirem a hélice do helicóptero.


“A polícia do Rio passa de helicóptero no morro e atira para matar. Quando os tiros vêm de baixo para cima, é um escândalo. As nossas autoridades federais e estaduais chamam todas as pessoas que são mortas de bandidos. Mas a maior parte dos que morrem não é traficante, é simplesmente favelado. E, se for traficante, também não dever ser morto sumariamente, pois não existe pena de morte no Brasil”, alerta Angela.


O dossiê analisa dados de 2000 até o primeiro semestre de 2009, o que corresponde ao período de três gestões de governadores do estado de São Paulo. São apresentados dados de parte da gestão do ex-governador Mario Covas (PSDB) (1999-2001), todo o mandato do também governador tucano Geraldo Alckmin (de 2001 a 2006) e a atual gestão do governador tucano José Serra (a partir de janeiro de 2007).


Extermínio


No Brasil, a Constituição Federal proíbe a pena de morte (inciso XLVII, art. 5). Entre outros dados, o dossiê analisa a relação entre o número de civis mortos e civis feridos em ação policial e a quantidade de civis e policiais mortos. O documento faz um comparativo entre informações envolvendo ações policiais nas cidades de São Paulo e Nova York (Estados Unidos).


De acordo com informações da Uniform Crime Reports e NY Law Enforcement Agency, em 2002, 12 civis e dois agentes de polícia foram mortos em ações policiais em Nova York. Naquele mesmo ano, segundo dados da Secretaria de Segurança do estado de São Paulo, 610 civis e 59 policiais foram mortos em ações da polícia na capital paulista.


“A polícia no Brasil mata muito mais do que as de outros países. O Estado brasileiro utiliza um sistema de extermínio. As polícias são ensinadas a matar e tomam gosto por matar. Mas não é para matar qualquer um, é para matar na periferia”, afirma Angela. “O Estado brasileiro deveria assumir que ele mata, manda matar e deixa matar. E o Judiciário sanciona isso, arquivando os processos que começam a andar”, acusa.


O documento também revela a relação entre pessoas mortas e feridas em ações policiais. Enquanto em Nova York, 12 civis foram mortos e 25 foram feridos em 2002, em São Paulo no mesmo ano morreram 610 civis e 420 ficaram feridos. De acordo com o estudo, essa proporção sugere que o comando da segurança pública tem incentivado uma postura mais agressiva da polícia na abordagem de civis.


“Há uma pena de morte não oficial instaurada. A maior parte desses crimes são crimes misteriosos e que envolvem morte de jovens. A juventude está sendo ameaçada. 63% das pessoas que estão na prisão têm de 18 a 28 anos. O que falta efetivamente aos governantes estaduais é fazer políticas para a juventude”, avalia o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara, deputado Luiz Couto (PT-PB).



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um filme sobre a vida de FHC


FHC em sessão de fotos para a revista Piauí


Bastou o Ricardo Berzoini sugerir que se faça um filme sobre a vida de FHC, e os seguidores de nosso nobre ex-presidente já se adiantaram na produção de um épico que narre a trajetória deste grande brasileiro.



Ficha Técnica


Título Original: Três títulos ainda não escolhidos pelo Príncipe

"As Aventuras de um Sociólogo no País da Gentalha"

"As Desventuras de um Príncipe"

"FHC, o Filho da Sorbone"

Gênero: pornô, drama, catástrofe

Duração: 5 horas

Ano de Lançamento: 2010

Estúdio: Projac

Distribuidora: Globofilmes

Direção: Jean Luc Godard foi convidado mas estava muito ocupado com seu novo projeto, Je Vous Salue Marie II, então ficamos com Nizan Guanaes mesmo

Roteiro: Manuel Carlos

Trilha Sonora: Caetano Veloso

Patrocinadores: Banco Opportunity, Alston, Fundação Ford, Instituto Milleniun (CIA), etc...

Elenco:

Jean Paul Belmondo (como FHC, pois o filme será falado em francês, nes pa!)

Boris Karloff (como José Chirico Serra)

Leila Lopes (como Mirian Dutra)

Al Pacino (como Daniel Dantas)

Marcos Pasquim (como Aécio Neves)

Darth Vader (como Gilmar Mendes)

Smeagol: (como Reinaldo Azevedo)

Jim Carrey (como Otávio Frias)

Miss Pig (como Mirian Leitão)

Caetano Veloso (como Caetano Veloso)

Sinopse:

O filme narra a brilhante trajetória do príncipe dos sociólogos, FHC, e suas desventuras nesse paíseco de terceiro mundo. Partindo de seu entediante grupo de estudos marxistas (assunto chato) nos anos cinqüenta, sua fase de pegação na USP, na década de sessenta; passando por sua glória no CEBRAP, e suas estreitas relações com os meninos da CIA. Vemos também sua inglória candidatura para prefeitura de São Paulo, no começo dos anos oitenta, e conferimos a pequenez intelectual do bravo povo paulista de antanho. Assistimos aos gloriosos anos noventa, a belle epoque brasilien, quando tivemos a honra de ser geridos por um presidente poliglota. A obra se completa com os negros anos dois mil, idade das trevas para o Brasil. Aventura, romance, sedução, num épico envolvente, não perca, em breve nos cinemas de Higienópolis.



terça-feira, 17 de novembro de 2009

Reaça sem noção



Bento Ribeiro, perdidão


Já escrevi neste blog sobre o programa Furo MTV, que se propõe a fazer humor para a juventude do PSDB. Zapeando na TV, hoje a noite, tive paciência para observar este humorístico por uns poucos minutos, o suficiente para ouvir o seguinte comentário, que aparentemente era para ser engraçado:

"A atriz Glória Pires disse que chorou ao assitir a estréia de Lula, o filho do Brasil... Nós estamos chorando há oito anos" (!?)

Nós quem?

Não adianta perguntar ao vj que fez tal piada inteligentíssima, o "ator" Bento Ribeiro, que apresenta diariamente este programa, visivelmente brisado. Nosso apresentador apenas lê o TP, além de ser um indivíduo completamente alheio a realidade. Aliás, alheia a realidade está a direção da MTV, caçulinha da famiglia Civita, falando a uma classe média igualmente abestalhada, que segue bovinamente uma imprensa perdidona, pra lá de Kandahar. Se o PIG fumou algum bagulho, deu brisa ruim...


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Semana da Consciência Negra em São Paulo


Eis a lista, um pouco atrasada, de uma série de eventos que ocorrerão em São Paulo, esta semana, em comemoração ao dia da Consciência Negra. Eventos em todas as quebradas.

Salve o Rei Zumbi!


Clique no texto para conferir os eventos:


SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NO JD. SÃO LUIS ZONA SUL DE SÃO PAULO.