quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Com mais mortes que Iraque, Brasil está em guerra e não sabe

Isso é democracia? A ditadura acabou mesmo?


No Brasil, mata-se 274 vezes mais do que em Hong Kong e 137 vezes mais do que na Inglaterra
Vivemos em um país em guerra, mesmo que não declarada. Esta é uma das conclusões possíveis a partir da leitura do estudo Mapa da Violência 2013, realizado pelo professor Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e divulgado hoje. Cerca de 170 mil pessoas foram mortas nos 12 maiores conflitos no globo entre 2004 e 2007 (veja tabela abaixo). No Brasil, mais de 200 mil perderam a vida somente entre 2008 e 2011.
Isto tudo sem que o país viva "disputas territoriais, movimentos emancipatórios, guerras civis, enfrentamentos religiosos, raciais ou étnicos, conflitos de fronteira ou atos terroristas", lembra o levantamento.
Há dois anos - época dos últimos dados disponíveis - foram registradas mais de 50 mil mortes, o que confere ao Brasil uma taxa de 27,1 homicídios para cada 100 mil brasileiros. Desse total, cerca de 40% (18 mil pessoas) eram jovens entre 15 e 24 anos.
O número de assassinatos no Brasil é 274 vezes maior do que em Hong Kong, 137 vezes maior do que na Inglaterra e 91 vezes maior do que na Sérvia, segundo o estudo divulgado hoje. 
Veja abaixo o total de mortes nas maiores zonas de conflito do planeta na década passada: 
País2004 2005 2006 2007Total de mortes
Iraque9.803  15.788  76.910  23.765  76.266
Sudão7.2841.0982.6031.734 12.719
Afeganistão917100040006500  12417
Colômbia2.9883.0922.1413.612 11.833
Congo3.5003.7507461.351  9.347
Sri Lanka1093304.1264.500  9.065
Índia2.6422.5191.5591.713  8.433
Somália7602858796.500  8.424
Nepal3.4072.950792137  7.286
Paquistão8636481.4713.599  6.581
Índia/Paquistão (Caxemira)1.5111.5521.1167774.956
Israel/Palestina8992266734492.247

Total dos 12 conflitos

34.68333.23847.01654.637169.574
"São números tão altos que torna-se difícil, ou quase impossível, elaborar uma imagem mental, uma representação de sua magnitude e significação", afirma Jacobo, autor da pesquisa.
Segundo o sociólogo, a cultura da violência (caracterizada pelo hábito de resolver conflitos por meio da agressão), a certeza da impunidade (apenas 4% dos assassinos vão para cadeia) e a indiferença da sociedade com o grande número de mortes estão entre as causas do fenômeno. "A vida humana vale muito pouco", resume o pesquisador, que é argentino. 

Brasil é o sétimo colocado no mundo em casos de homicídios


A cada 100 mil habitantes, 27,4 são vítimas de crimes, segundo dados da Organização Mundial da Saúde


Armas: a violência, no caso brasileiro, tem como fatores determinantes a cultura da violência, a circulação de armas de fogo e a impunidade, segundo autor da pesquisa

O Brasil é o sétimo colocado no mundo em casos de homicídios. A cada 100 mil habitantes, 27,4 são vítimas de crimes. No caso de jovens entre 14 e 25 anos, o número aumenta para 54,8. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), compilados pelo Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil, divulgado hoje (18), pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) todos os dez países com os mais altos índices de homicídios entre jovens estão na região da América Latina e do Caribe.
El Salvador lidera o ranking de índices de homicídios seguido de Ilhas Virgens, de Trinidad e Tobago, da Venezuela, da Colômbia, da Guatemala, do Brasil, do Panamá, de Porto Rico e das Bahamas.
Segundo o estudo, esses índices são explicados pela incidência de problemas estruturais de origem política, econômica e social, como desigualdade e falta de acesso a serviços básicos combinados ou não a conflitos armados, como os que acontecem na Guatemala, em El Salvador e na Venezuela. No caso dos homicídios de jovens, o Brasil tem taxa mais de 500 vezes maior do que a de Hong Kong, 273 vezes maior do que a da Inglaterra e do Japão e 137 vezes maior do que a da Alemanha e da Áustria.
Na década de 1990, o Brasil chegou a ocupar a segunda colocação nesse ranking da OMS, liderado então pela Venezuela. A queda brasileira na lista dos países com as maiores incidências desse tipo de crime não significa que a violência foi reduzida, mas que houve aumento em outros lugares no mundo.








segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Um trabalhador morre por dia em acidente de trabalho no estado de São Paulo


Radioagência NP

Segundo Secretaria Estadual da Saúde, em 2012, foram registradas 444 mortes. Entre as causas mais frequentes de acidentes estão maquinário velho e desprotegido, ritmo acelerado, assédio moral, cobrança exagerada.

Uma pessoa morre por dia, em média, no Estado de São Paulo vítima de acidentes de trabalho. Em 2012, foram registradas 444 mortes no estado. Os dados fazem parte do levantamento divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde, baseado nas notificações feitas pelos municípios paulistas. 
 
Desde 2006, foram registradas 2.239 mortes por acidentes de trabalho no estado. No mesmo período, 119.088 trabalhadores receberam atendimentos ambulatoriais e emergenciais pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Acidentes de trabalho podem ser evitados com o controle dos ambientes e das condições oferecidas aos trabalhadores. Por isso, é muito importante o uso adequado e contínuo dos equipamentos de proteção.

No Brasil, cerca de 700 mil casos de acidentes de trabalho são registrados em média todos os anos, sem contar os casos não notificados oficialmente, de acordo com o Ministério da Previdência. O País gasta cerca de R$ 70 bilhões para esse tipo de acidente anualmente.

Entre as causas mais frequentes de acidentes estão maquinário velho e desprotegido, tecnologia ultrapassada, mobiliário inadequado, ritmo acelerado, assédio moral, cobrança exagerada e desrespeito a diversos direitos.

Nota do Blog: O que vai bem aqui no estado de São Paulo, fora a conta bancária dos tukkkanus? 




domingo, 11 de agosto de 2013

CINE FÓRUM “Quarenta anos sem Allende”. CINUSP: 12 A 16 DE AGOSTO DE 2013

  
 
                    

A mostra “Quarenta anos sem Allende” é parte da programação a ser realizada pelo III Fórum Permanente sobre Arte e  Cultura da América Latina, na Universidade de São Paulo, no mês de agosto de 2013 e pretende contribuir para as discussões cada vez mais presentes sobre a produção artística e os processos sociais, culturais e políticos de resistência das sociedades da América Latina. O CineFórum terá lugar no CINUSP, de 12 a 16 de agosto, conforme programação abaixo, e, o Fórum de debates acontecerá dia 27 de agosto, no auditório das Ciências Sociais, das 9h00 às 18h00, e terá como tema “Arte e Cultura da América Latina em Debate- Memória e Resistência”. 
CINE FÓRUM  “Quarenta anos sem Allende”

Endereço: Rua do Anfiteatro, 181 – Colmeias. Favo 4. Cidade Universitária- Butantã.
De 12 a 16 de agosto.
FÓRUM  “Arte e Cultura da América Latina em Debate: Memória e Resistência”

Endereço: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, prédio das Ciências Sociais, Avenida Professor Luciano Gualberto, 403/315, sala 14, Cidade Universitária- Butantã. 
Dia 27 de agosto.
PROGRAMAÇÃO

Dia 12 de agosto, segunda-feira

16h00

“Violeta foi para o céu”
Ficção-biografia: vida e obra da artista chilena Violeta Parra baseado no livro homônimo de Ángel Parra, desde a sua infância em Ñuble, suas viagens de descobertas culturais no interior do Chile, suas idas à França e Polônia, seus amores. 
Direção: Andrés Wood
Produção: Chile, Brasil e Argentina, 2011
Duração: 1h50m
Idioma: espanhol                          
Legendado em português
Abertura do Cine Fórum “Quarenta anos sem Allende”

Profa.Dra. Dilma de Melo Silva, diretora-presidente da CESA- Sociedade Científica de Estudos da Arte e professora sênior da ECA-USP.
Debatedora: Profa. Dra. Mariza Bertoli – Mestre e Doutora pelo Prolam-USP, Crítica de Arte e Coordenadora do Fórum Permanente de Arte e Cultura sobre a América Latina;
  19h00

“La ciudad de los fotógrafos” 
Documentário: Reconstrução da memória das ações dos fotógrafos chilenos durante o golpe de 1973 e do período posterior da resistência a Pinochet. Testemunhos de famílias de desaparecidos e mortos e de fotógrafos da época comprovam a importância do trabalho desses profissionais para o registro documental desse período. 
Direção: Sebastián Moreno
Pesquisa: Claudia Barril e Sebastián Moreno.
Diretor de Fotografia: David Bravo e Sebastián Moreno.
Música: Manuel García, Silvio Paredes
Produção: Películas del Pez.com, Chile 2006
Duração: 1h20m
Idioma: espanhol            
Legendas em inglês, francês e espanhol
Debatedor: Prof. Dr. Horácio Gutiérrez, docente de História das Américas da FFLCH-USP, autor de várias publicações: Literatura Folclórica del Maule; Trabalhadores na História do Brasil e, recentemente, Dulce Patria, um livro de poesias sobre o período da ditadura Pinochet. 
Dia 13 de agosto, terça-feira.
16h00

 “Tucumán Arde - Documentário”
Documentário realizado pelo Governo da Província de Santa Fé, na Argentina, a partir de depoimentos dos participantes de Tucumán Arde, um coletivo de artistas de vanguarda, que em 1968, lançou um movimento de aproximação da arte e da sociedade com a realização de uma série de obras experimentais. O cenário desse acontecimento é a província de Tucumán, localizada a noroeste do país e foi escolhida pelos  participantes do movimento como modelo a ser denunciado de desigualdade  e miséria  provocadas pelo fechamento de diversas usinas de açúcar na região.
Produção: Programa Señal Santa Fé
Secretaria de Produções e Indústrias Culturais do Ministério de Inovação e Cultura
Coordenação geral: Direção Regional de Produtores Culturais Cecília Vallina
Produção Geral: Paula Valenzuela
Direção artística: Frederico Actle
Governo de Santa Fé- Argentina, 2011
Duração 22m
Idioma: espanhol                 
Sem legendas
16h30

“Tucumán Arde- Arquivos”
Programa da TV Argentina “Óptica” com entrevista da curadora Graciela Carnivale sobre os arquivos de Tucumán Arde, preservados e analisados por estudantes e pesquisadores da América Latina.
Produção: Óptica - Arte Actual
Produção Geral: Liseth Sayago
Realização: Camilo Martins
Unimedios Televisión, Argentina, 2010
Duração: 6m
Idioma: espanhol
Sem legendas
Debatedora: Simone Rocha Abreu, professora universitária de História da Arte. Crítica de Arte, membro-fundador do Fórum Permanente de Arte e Cultura sobre a América Latina, doutoranda PROLAM-USP. Pesquisa artistas argentinos e brasileiros nos anos 60.
 19h00

 “Nostalgia de la Luz” 
Documentário de Patrício Guzmán faz um paralelo com as atividades dos astrólogos e astrônomos no Deserto do Atacama, ao norte do Chile, instalados em monumentais observatórios e o trabalho contínuo de mulheres chilenas que procuram naquele lugar os restos mortais de seus parentes assassinados pela ditadura Pinochet. Um clima seco e sem umidade favorece a exploração do espaço pelos astrônomos em busca de uma eventual vida extraterrestre. Com igual persistência, as mulheres removem pedras e vasculham as terras áridas, algumas há mais de 30 anos, à procura dos corpos de seus filhos.
Direção e roteiro: Patrício Guzmán
Produção: Atacama Producción
Festival de Cannes - Menção especial
Chile, 2010.
Duração: 1h30m
Idioma: espanhol                                
Legendado em Português
Debatedor: Andrés Donoso Romo,  Antropólogo social pela Universidade do Chile (2003). Mestre em Estudos Latino-americanos pela Universidade do Chile (2007). Doutorando do PROLAM-USP. Trabalha as conexões entre Educação e Transformação Social.
Dia 14 de agosto, quarta-feira

 16h00

“Machuca” 

Chile, 1973. Gonzalo Infante (Matías Quer) e Pedro Machuca (Ariel Mateluna) são dois garotos de 11 anos que vivem em Santiago. O primeiro, numa bela casa situada num bairro de classe média. O segundo, num humilde povoado ilegal instalado a poucos metros de distância da escola. Dois mundos separados por uma muralha invisível que alguns sonham em derrubar na intenção de construir uma sociedade mais justa, como o padre McEnroe (Ernesto Malbran), diretor de um colégio particular de elite onde Gonzalo estuda. Em meio à política comunista instalada por Salvador Allende no país, o diretor decide fazer uma integração entre estes dois universos, abrindo as portas do colégio para os filhos das famílias do povoado. É assim que Pedro Machuca vai parar na mesma sala de Gonzalo, ponto de partida para uma amizade cheia de descobertas e surpresas, que acontece paralelamente ao clima de enfrentamento que vive a sociedade chilena na violenta transição de Allende para Pinochet. (Difusão Cultural Atibaia).
Direção: Andrés Wood, 2004         
Idioma: espanhol
Duração: 2h
Legendas em português
19h00

 “A Batalha do Chile I - A Insurreição da Burguesia”

Documentário: Salvador Allende põe em marcha um programa de profundas transformações sociais e políticas. Desde o primeiro dia a oposição organiza contra o governo uma série de greves enquanto a Casa Branca o asfixia economicamente. Apesar do boicote, em março de 1973 os partidos que apoiam Allende obtêm mais de 40% dos votos. Os conservadores compreendem que os mecanismos legais já não servem.
Direção: Patricio Guzmán   
Montagem: Pedro Chaskel
Diretor de Fotografia: Jorge Müller Silva
Som: Bernardo Menz
Equipe Tercer Año
Chile, 1973.
Duração: 1h30
Idioma: espanhol
Legendas em português
Dia 15 de agosto, quinta-feira
    
16h00

“Dawson, Isla 10”
Filme: No dia 11 de Setembro de 1973, um golpe militar no Chile depõe o presidente Salvador Allende e seus mais estreitos colaboradores são feitos prisioneiros e enviados para a Ilha de Dawson, no Estreito de Magalhães, o campo de concentração mais austral do mundo. Baseado no livro Isla 10, de Sergio Bitar.
Direção: Miguel Littín   
Co-produção: Brasil, Chile e Venezuela, 2010
Duração: 1h52m
Elenco: Cristián de la Fuente, Benjamín Vicuña e outros
Idioma: espanhol
Legendas em inglês
Debatedor: Marco Chandía Araya . Graduado em Educação e Professor de  Castellano. Mestre em Estudos Latinoamericanos pela Universidade do Chile e Doutor em Literatura chilena pela mesma Universidade. Pós doutorando em  Teoría Literaria e Literatura Comparada na  FFLCH – USP.
19h00

“A Batalha do Chile II - O Golpe de Estado”

Documentário: Final do governo Allende. Intensifica-se a resistência dos setores conservadores do Chile. Os militares começam a planejar o golpe em Valparaíso culminando em 11 de setembro de 1973.
Direção: Patrício Guzmán
Produção: Patrícia Boero, Alicia Crespo e Jorge Sánchez
Versão atualizada: Luis Mutti, Sergio Pérez, Molinaire S.A.
Equipe técnica e filmagem: Pablo de la Barra, Produtora América Proa.
Roteiro: Marta Harnecker, Pedro Chaskel e outros.
 Chile, 1973.
Duração: 1h30m
Idioma: espanhol    
Legendas em português
Dia 16 de agosto, sexta-feira

16h00

“Mampuján- Crónica de un Desplazamiento”

Documentário: Mulheres colombianas do vilarejo de Mampuján tecem as suas histórias de violência e esperanças em oficinas de bordados, que reúnem exilados de diversas localidades na Colômbia, depois do massacre de El Salado, ocorrido em fevereiro de 2000. O documentário é baseado na pesquisa de Maria Vitoria Uribe, pesquisadora da área de Memória da CNRR (Comissão Nacional de Reparação e Reconciliação), de conflitos e embates entre as forças paramilitares, o governo e as guerrilhas da Colômbia.
Produção e direção: CNRR, setor de Memória Histórica e Fundation Open Society Institute. 
Apoio: Organización Internacional para las Migraciones Colombia, 2009.
Duração: 26m
Idioma: espanhol    
Sem legendas
16h30

“Bocas de Ceniza”
Documentário: registro em vídeo das músicas dos camponeses colombianos lamentando a violência e a miséria a que estão submetidos na guerra entre paramilitares e guerrilheiros. Cada canto (oito no total) é uma narrativa pessoal, um testemunho da violência que já dura há 50 anos na Colômbia.
Produção e direção: Juan Manuel Echavarría
Colômbia, 2003
Duração: 18m       
Idioma: espanhol
Legendas em inglês
Acervo Casa Daros/ Rio de Janeiro
Debatedor: Carlos Suárez  é historiador pela Universidade Nacional de Colômbia (2010), e mestrando em História Econômica na Universidade de São Paulo. Tem trabalhado assuntos relativos a historia política colombiana da primeira metade do século XX e atualmente desenvolve sua pesquisa sobre o percurso continental do escritor americanista Germán Arciniegas.
 19h00

“A Batalha do Chile III – O Poder Popular”

Documentário: As reformas feitas por Allende no Chile, a mobilização popular, o controle de fábricas pelos operários.
Direção: Patrício Guzmán
Produção: Patrícia Boero, Alicia Crespo e Jorge Sánchez
Versão atualizada: Luis Mutti, Sergio Pérez, Molinare S.A.
Equipe técnica e filmagem: Pablo de la Barra, Produtora América Proa.
Roteiro: Marta Harnecker, Pedro Chaskel e outros.
 Chile, 1973.
Duração: 1h20m   
Idioma: espanhol
Legendas em português   
Debatedor: Osvaldo Coggiola. Graduado em História e Economia pela Universidade de Paris VIII . Mestre em História  pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais/França, doutorado em História Comparada das Sociedades Contemporâneas pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais/França (1983). Pós-doutorado pela USP onde é professor de História Contemporânea. É professor orientador do PROLAM- USP.  Escreveu Governos Militares na América Latina, com Jaime Pinsky; e “ 25 de Outubro de 1917: a Revolução Russa”, com Arlene Clemesha, entre outros.





quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Jornalista afirma que EUA espionam para obter vantagens comerciais


Correio do Brasil

Jornalista que publicou as informações de Edward Snowden diz que esquema de vigilância dos EUA quer principalmente informações comerciais e industriaisJornalista que publicou as informações de Edward Snowden diz que esquema de vigilância dos EUA quer principalmente informações comerciais e industriais
Jornalista que publicou as informações de Edward Snowden diz que esquema de vigilância dos EUA quer principalmente informações comerciais e industriais, nas áreas da energia e do petróleo. Ele prometeu mais revelações.
O jornalista americano Gleen Greenwald disse nesta terça-feira durante uma audiência pública conjunta do Senado e da Câmara dos Deputados, em Brasília, que os dados que divulgou até agora sobre os documentos secretos que recebeu do ex-consultor da CIA (serviço secreto americano), Edward Snowden, sobre um esquema de espionagem internacional dos EUA, não se restringem apenas ao combate ao terrorismo internacional.
Greenwald, que publicou as primeiras reportagens sobre o programa de vigilância das comunicações eletrônicas da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, da sigla em inglês) a partir das informações do delator Snowden, ressaltou que, desde o ataque às torres do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos têm usado o combate ao terrorismo como justificativa para muitas ações, incluindo as técnicas de espionagem.
Mas, para Greenwald, o principal objetivo do governo americano com a espionagem é a obtenção de informações comerciais e industriais, como na área de energia e petróleo. Segundo ele, está claro que essa é uma maneira de ganhar mais poder através da obtenção de dados sobre negociações econômicas, estratégias políticas e competitividade de empresas. “Em geral, o propósito desse programa é esse [de obter vantagem].”
Ele citou como exemplo a reportagem publicada na última semana pela revista brasileira Época – publicação para a qual Greenwald também escreve – que traz dados sobre como espionagem norte-americana de oito países, incluindo o Brasil, influenciou a aprovação de sanções contra o Irã em 2010 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Esclarecimentos de empresas brasileiras

Na avaliação de Greenwald, que vive no Brasil desde 2005, é “difícil acreditar” que empresas de telecomunicações e de internet que atuam no Brasil não saibam o que acontece com os dados coletados no país. “É importante saber exatamente quais empresas americanas têm acessos a quais sistemas para olhar com mais atenção sobre o que está acontecendo exatamente com esses sistemas”, opinou.
A coleta e a transferência de dados, segundo o relato do jornalista, são possíveis porque operadoras brasileiras de telecomunicações estariam trabalhando com uma grande empresa americana que fornece dados para a NSA. Greenwald ainda está investigando os fatos a respeito dessa cooperação.
Segundo a Agência Brasil, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) negou que as empresas do setor forneçam ou facilitem informações que possam quebrar o sigilo de seus usuários, a não ser que haja uma ordem judicial no âmbito da lei brasileira para isso.
O blogueiro e ex-advogado disse não ter como forçar as empresas brasileiras a fornecerem informações, mas que o Parlamento e os órgãos do Executivo podem fazê-lo. “Deve haver duas ou três opções de empresas de telecomunicações que podem estar nessa lista”, afirmou Greenwald, ao ressaltar que essa é a informação mais protegida pela Agência de Nacional de Segurança.  “O que a NSA está protegendo mais é a identidade das empresas que trabalham com eles (…). Eles estão usando codinomes para tudo.”
Em resposta ao apelo do jornalista americano, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Ricardo Ferraço, afirmou que já tem requerimentos aprovados para solicitar a presença dessas empresas em audiências públicas para prestarem esclarecimentos.

Ponta do iceberg

Greenwald ainda afirmou, durante a audiência no Senado, que as informações que divulgou a partir dos documentos que recebeu de Edward Snowden representam uma parte muito pequena do que ainda está por vir. O delator passou cerca de 20 mil documentos a Greenwald este disse que os dados ainda estão sendo analisados.
- Estamos trabalhando com muitas organizações no Brasil e no mundo todo para publicar mais documentos. É difícil falar sobre os documentos que ainda não publiquei, mas com certeza vai ter muito mais revelações sobre a espionagem do governo dos Estados Unidos – disse o jornalista.
Durante o depoimento, Greenwald disse que precisa ser cuidadoso nas suas declarações por causa de ações judiciais contra Snowden nos Estados Unidos por isso, tem restrições quanto ao teor das informações que pode divulgar.
Destituído do passaporte dos EUA, Snowden conseguiu, na semana passada, um asilo de um ano na Rússia, depois de um mês confinado na zona de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou.

Muito além dos metadados

Sobre a alegação, por parte do governo norte-americano, de que a NSA apenas acessa os chamados metadados – ou informações básicas sobre dia, horário e destinatário de mensagens, Glenn Greenwald afirmou que os Estados Unidos têm capacidade de interceptar o conteúdo dessas mensagens se quiser.
- O governo americano tem sistemas para invadir muitos e-mails, não só metadados, mas coisas que você fala por e-mail, ou coisas que você está falando pelo telefone – disse Greenwald, ao classificar o sistema XKeyscore, programa de busca em bancos de dados de informações que circulam pela rede, como “assustador” e “o mais poderoso” sobre o qual ele já escreveu.
Uma grande preocupação de Greenwald é que o sistema é acessado por milhares de analistas que não ocupam cargos muito altos na hierarquia da NSA, o que deixa vulneráveis informações pessoais – isso tudo sem a necessidade de autorização judicial.
- Esse sistema vai mostrar quase tudo o que as pessoas estão fazendo na internet. É muito mais do que metadados. E o mais assustador, na minha opinião, sobre esse sistema é que ele é muito fácil de usar – afirmou.
A maior prova disso, exemplificou Glenn, é o que fez Edward Snowden. “Qualquer pessoa pode invadir uma informação muito privada sem justificar, e é muito difícil para descobrir. E a evidência disso é que Snowden tomou 15, 20, 25 mil documentos supersecretos e ninguém sabia, porque esse sistema é grande demais, é enorme e ninguém pode controlar isso”, disse.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

4 em cada 5 escolas do ensino estadual paulista têm turma sem professor

 

 

Estadão

Na rede estadual de SP. Há um déficit de mais de 49 mil professores - o que representa 21% dos cargos efetivos; mesmo com a contratação de temporários, problema não se resolve e, no 1º semestre, 4,8 mil turmas ficaram sem aula de alguma disciplina

O Estado de São Paulo tem um déficit de 49.085 professores efetivos na rede de ensino - 21% dos cargos necessários. Para atender os alunos, o governo lança mão de 49 mil docentes temporários, o que ainda assim é insuficiente: no fim do primeiro semestre, a rede tinha 4,8 mil turmas sem aula de alguma disciplina - fazendo-se uma média é como se quatro em cada cinco escolas tivessem turma sem professor. Os dados, que não são divulgados pelo Estado - alegando a grande dinâmica de atribuição de aulas -, estão em um documento encaminhado ao Ministério Público.

O cálculo do déficit é da própria Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Estado de Educação. Os dados foram obtidos com exclusividade pelo Estado. Falta de professores e a grande quantidade de profissionais temporários são os grandes gargalos da gestão tucana na Educação.
A maior necessidade é de professores de Matemática, com um déficit de 10.508 efetivos. Em seguida, aparecem as disciplinas de Português, Geografia e Educação Artística. Mesmo recorrendo a um grande número de temporários, que cresceu 69% desde maio de 2012, o Estado não consegue preencher todas as aulas. Entre as 4,8 mil sem professor atribuído, Matemática também tem a pior situação: são 833 turmas livres nessa disciplina, seguida de Geografia (767) e Sociologia (767).
A situação de aulas sem atribuição de professor atinge todo o Estado. No levantamento, com data de 7 de junho, a divisão é feita por diretoria de ensino e não detalha em quais escolas há o problema.
Apenas 9 de 91 diretorias de ensino tinham todas as aulas com professores. A situação é mais complicada na capital e na Região Metropolitana. Na diretoria de Suzano, por exemplo, havia 260 aulas sem professor, a pior situação. Na capital, as zonas leste e sul registram os maiores números de aulas livres. Juntas, concentram 78% das lacunas. Só na zona leste, 203 turmas estavam sem professor de Matemática. Na sul, eram 144.
A Secretaria de Educação defende que os alunos podem ter ficado sem a aula da disciplina, mas há professores eventuais. Segundo o chefe de gabinete da pasta, Fernando Padula, faltam 200 professores para suprir essas aulas não atribuídas. "Não quer dizer que não teve professor, teve atividade com professor eventual", diz. "São dois problemas: a falta de professores e professores que faltam. Nem sempre a escola tem à disposição professor de determinada disciplina, há um problema nacional em Exatas."
Segundo Padula, há 22 mil servidores da educação em licença médica atualmente. Em média, cada professor da rede estadual teve 21 ausências no ano passado por licença-saúde. Ele também cita a dificuldade de fixação de profissionais em determinadas regiões, como as franjas sul e leste da cidade.
Sem aula. A estudante Jennifer Portugal, de 15 anos, não teve professor de Química no ano passado inteiro. Aluna da Escola Estadual Roberto Mange, na zona sul de São Paulo, ela também ficou sem aulas de Português e Sociologia neste ano, problema só resolvido pouco antes do fim do semestre. "A gente reclamou e falaram que iam resolver. Mas nada foi feito, parece que não se importam", diz. "Ninguém falou nada sobre recuperar ou repor as aulas." Segundo a Secretaria de Educação, as escolas têm de organizar reposições ou reforço.
Para Priscila Cruz, da ONG Todos Pela Educação, o prejuízo é claro. "O aluno que não tem aula aprende menos e acumula deficiências", diz. "Os dados mostram que a proporção de alunos com aprendizado adequado vai caindo a cada ano."
O Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc), do Ministério Público Estadual, acompanha o tema do absenteísmo e falta de professores na rede. "Qualquer solução para a educação tem pouca efetividade sem o professor. Há um cenário de desresponsabilização, da secretaria aos professores", diz o promotor João Paulo Faustinoni e Silva.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Mario Covas, canonizado pelos Tukkkanos, recebeu caixinha do complexo IPES-IBAD na década de sessenta, foi mais um a colaborar com o golpe de 1964

Farinha do mesmo saco

Aqui em SP, Mario Covas é visto como uma espécie de santo, são incontáveis a quantidade de logradouros, bibliotecas, espaços culturais, etc, etc, etc... que levam seu nome. Sua imagem é de político sério, democrata, ético, daqueles que lutaram contra a ditadura. O governador Geraldo Alckmin, através de sua assessoria, trata como uma heresia a inclusão do nome de Covas nas atuais denúncias de corrupção envolvendo governos do PSDB.

Pouco (no caso do PIG, nada) se fala que foi durante a gestão Covas que teve início o desmonte neoliberal em São Paulo, que durante seu governo se intensificou a precarização do ensino estadual paulista, jogando os índices educacionais deste estado lá para baixo, para ficar só nesse setor.

Aliás, qual foi o grande feito do Mário Covas governador mesmo?

Não me surpreende o envolvimento do “tucano sério”, como alguns adversários o chamam até hoje, no propinoduto tucano, que teria começado durante sua gestão. Quando se investiga com mais rigor sua biografia política, observa-se que deslizes não se encontram apenas em sua fase tucana, desde o início de sua trajetória de homem público, verificam-se episódios nebulosos.

Como dito acima, Covas se notabilizou como opositor a ditadura, estando (para muitos) na mesma estatura de Ulisses Guimarães. Durante os eventos envolvendo o nome do deputado Márcio Moreira Alves, em 1968, às vésperas do AI-5, sua conduta foi corajosa e digna. Contudo, se voltarmos alguns anos no tempo, na mesma década de 1960, vemos que sua postura não foi tão digna assim.

Mario Covas figura na lista dos candidatos que foram financiados pelo complexo IPES-IBAD, institutos que prepararam o terreno para o golpe de 1964. Este fato está exposto e devidamente documentado na monumental obra de René Armand Dreifuss, chamada “1964: a conquista do Estado”, um  dos mais criteriosos estudos sobre o golpe civil-militar brasileiro. Covas foi eleito deputado federal em 1962, financiado pelo golpismo organizado, e uma vez de posse do cargo, teve que retribuir o patrocínio, ajudando a inviabilizar a governo trabalhista de João Goulart.


Vejamos o que René Armand Dreifuss diz sobre o tema:

 (...) as atividades políticas do complexo IPES-IBAD foram de suma importância na realização da crise do bloco histórico-populista. Elas estimularam uma atmosfera de inquietação política e obtiveram êxito em levar à intervenção das Forcas Armadas contra o “caos, a corrupção populista e a ameaça comunista”. (p. 338)

Ao lado de Covas, figuraram na lista dos golpistas os deputados paulistas Cunha Bueno, Padre Godinho, Hamilton Prado (diretor da Cia. Antárctica de Bebidas), Nicolau Tuma, Raniere Mazzili, futuro presidente da Câmara que irá declarar vaga a presidência da República em 1964, mesmo com o presidente João Goulart ainda se encontrando no país, dentre outros. (p. 335)

Por mais que Mario Covas tenha tido uma postura corajosa na conjuntura do AI-5, o mesmo colaborou para o assalto ao poder em 1964, quatro anos depois, bateu de frente com um monstro que ajudou a criar.

As reais implicações de Mario Covas junto ao propinoduto tucanos virão a tona com o tempo, contudo, é mais que necessário desmistificar um político cuja imagem foi forjada por um partido que se notabilizou por sua hipocrisia e por mascarar a realidade chancelado por toda mídia corporativa nacional. 

Para mais detalhes, consultar: 

DREIFUSS, Rene Armand. 1964: a conquista do Estado. Ação Política, Poder e Golpe de Classe. Editora Petrópolis-RJ, 1981.