sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Samba paulista dialoga com o “progréssio”

samba paulista


Nos anos 1950 e 1960, os arranha-céus tomaram de assalto as ruas da capital paulista. Os trabalhadores -- unidos por atividades sindicais, movimento negro e rodas de samba -- reagiram criativamente, compondo letras que escancararam o braço de ferro entre a urbanização e a população mais pobre: a última levou a pior e foi expulsa das regiões centrais para a periferia. 



O arquiteto, professor e urbanista Marcos Virgílio da Silva resgatou o fato histórico em uma tese de mestrado, ilustrada pelas letras desses sambas e os “causos” dos seus compositoresA pesquisa mostra que, no começo dos 1950, as esquinas e becos paulistas eram musicais. Principalmente as esquinas no Brás, no chamado “Bixiga”, originalmente Bela Vista, e no centro. Não havia a sombra da indústria fonográfica para assanhar vaidades e os músicos de rua tocavam por puro deleite. Muita letra dessa produção popular, notadamente assinada por compositores negros e pobres, denunciava a repressão policial: a batucada foi proibida por lei na época. Marcos Virgílio conta que os grupos iam para as ruas tocar e a polícia chegava, dispersando.Mesmo assim, a turma do samba consagrou seus espaços. Por exemplo, o Largo da Banana, na Barra Funda. Os trabalhadores ferroviários encerravam jornada e iam batucar no local até que o viaduto do Pacaembu atropelou a alegria. Os sambistas se mudaram.Um deles, Geraldo Filme, fez do limão uma inspiração e lançou duas músicas: O último sambista e Vou sambar noutro lugar. A letra da segunda diz em alto e bom som: “não tem mais lugar pro samba, vou embora da Barra Funda”.



Samba da Barra Funda - Geraldo Filme







Na baixa dos engraxates

Marcos diz que essa expulsão na Barra Funda é emblemática, porque o Largo da Banana era um local de referência do samba, mas a dispersão já vinha de antes. Quando foi aberta a avenida 9 de julho, no final dos anos 1930, uma multidão de negros musicais foi varrida das imediações do córrego da Saracura, próximo à Praça da Bandeira. Parte dos sambistas formou uma frente de resistência e continuou no Bexiga, dando origem à escola de samba Vai-Vai. Outra parte migrou para a zona lesta da cidade, fixando-se no Peruche, onde fundaram a Unidos do Peruche.Avançando na história, chegamos à Praça da Sé, restaurada no quarto centenário de São Paulo, em 1954. Com a construção da catedral, os engraxates que encerravam expediente na cadência do samba, usando as ferramentas de trabalho como instrumentos, foram tocar ou calar em outras vizinhanças. A lembrança do samba tocado em caixa de graxa ficou intocável na homenagem de Germano Mathias, que emprestou o toque dos engraxates a algumas criações suas. Mathias integrou a geração de sambistas estudados por Marcos Virgílio. Muitos desses músicos se perderam no espaço e no tempo, mas suas músicas ficaram como registro do desaparecimento desses núcleos socioculturais.“Eles são predominantemente negros, e há alguns como o Adoniran e o grupo Demônios da Garoa, que têm ligação com os italianos do Bixiga, mas a associação mais forte é com a classe trabalhadora. O Jorge Costa, por exemplo,é alagoano e encontrou a sua turma em São Paulo”, explica Marcos. 

Fronteiras da elite

Já o Paulo Vanzolini, segundo Marcos, é um caso à parte, porque integrava uma elite intelectual. Ele é um exemplo de que o samba paulista transcendeu as camadas populares, aliás, ultrapassou as fronteiras dos bares burgueses: Vanzolini freqüentava a boemia ao lado dos trabalhadores, foi um dos grandes cronistas da cidade.O samba “Suicídio” revela sua empatia com a má sorte dos pobres e miseráveis, conta a saga de um coitado que decidiu se suicidar, em vão. Fez várias tentativas, em diferentes e clássicos pontos da cidade, mas acabou sobrevivendo. Com muito bom humor. O mesmo bom humor com que os trabalhadores enfrentaram despejos, a proibição da batucada e a urbanização selvagem de São Paulo. E enfrentaram, finalmente, o fim da era de ouro do samba paulista “de trabalhador”.


Samba do suicídio - Paulo Vanzolini



Uma brasa no caminho

No final dos anos 1960, Adoniran Barbosa compõe o samba “Rua dos Gusmões”, fazendo menção a um endereço próximo à Praça da República. Na letra, a mulher sugere ao marido que deixe o samba e vá fazer iê-iê-iê. Qualquer semelhança com a realidade sociocultural da época não é mera coincidência: o samba paulistano havia sido destronado pelo novo ritmo e o próprio Adoniran estava “fora do ar”. Ele se aposentou no rádio, passando de ator a cantor, mas cerca de dois anos antes de encerrar carreira viveu o ostracismo, tinha emprego, mas não tinha espaço na grade de programação.Adoniran faz nova reclamação em outro samba, “Já fui uma brasa”, no qual mostra simpatia pela moçada do iê-iê-iê, mas defende um espaço para a sua criação: “já fui uma brasa, se me soprarem, posso acender de novo”.Na nova composição, mostra claramente que não queria concorrer, mas somar, e continuar produzindo sua música.


Já fui uma brasa - Adoniran Barbosa



Não adiantou espernear, o samba de Adoniran – que serviu de trilha sonora para a urbanização paulista – saiu da moda no final dos anos 1960. Ele bem que tentou continuar em cena, se inscreveu nos festivais de música, que estavam ganhando fama, e perdeu. Com ele, outros perderam a parada, caso de Germano Mathias, que chegou a morar dois anos no Rio, depois perdeu tudo, foi despejado de quarto de aluguel na Praça da Luz, e do Henricão, fundador da Vai Vai, que virou frentista de posto de gasolina e encarou miséria na velhice. Mas o samba de São Paulo não morreu, mudou de lugar!


O samba na avenida

A ideia para a pesquisa surgiu de um controvertido estereótipo, assim descrito no trabalho de Marcos Virgílio: “A cidade que assumiu no Brasil, ao longo do século XX, uma posição de inegável protagonismo político e econômico, não goza do mesmo prestígio no que diz respeito à sua cena musical popular – especialmente no que diz respeito ao samba”. O arquiteto, professor e urbanista Marcos Virgílio da Silva resgatou o fato histórico em uma tese de mestrado, ilustrada pelas letras desses sambas e os “causos” dos seus compositoresMarcos, que nem sabe tocar instrumento, mas é admirador confesso do ritmo, foi em busca de argumentos que comprovassem a vocação paulista para o samba. E, assim, investigou o processo de urbanização da cidade de São Paulo, nas décadas de 1950 e 1960, numa perspectiva “a partir de baixo” (from below), seguindo uma linha metodológica que remonta ao marxismo britânico.



As letras das músicas, na verdade, ilustram o tema, que é a urbanização a “urbanização, cultura e experiência popular” em João Rubinato, o nosso querido Adoniran, e outros sambistas paulistanos. Aliás, nem tão paulistanos, como já foi dito, há até alagoano na cena musical, e se não são conterrâneos por certo são contemporâneos e todos, nomes emblemáticos na produção do samba paulistano nessa época. A tese de Marcos dedicou especial atenção aos sambas de compositores e intérpretes como João Rubinato (Adoniran Barbosa), Paulo Vanzolini, Germano Mathias, Geraldo Filme, Noite Ilustrada, Jorge Costa, Osvaldinho da Cuíca e Demônios da Garoa.Sobre a derrocada do samba popular no final dos anos 1960, Marcos a avalia por outro prisma: “Em 1968, houve o primeiro carnaval oficial de São Paulo. A prefeitura passou a garantir espaço, apoio financeiro e divulgação dessa festa popular. Eu defendo que o samba paulista teve influência nessa decisão e defendo que foi uma conquista. Pela primeira vez, em São Paulo, o samba deixa de ser objeto de repressão e ganha a liberdade de expressão”, conclui. 


Saiba mais:


VIRGÍLIO, M. S. Debaixo do 'pogréssio': urbanização, cultura e experiência popular em João Rubinato e outros sambistas paulistanos (1951-1969). 2011. Tese (Doutorado) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.







Não há data para o fim do Occupy Wall Street, diz Naomi Klein


Foto: David Shankbone/Flick
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A  intelectual e ativista norte-americana Naomi Klein falou para os manifestantes do movimento Occupy Wall Street, em Nova York, na noite desta quinta-feira (6). Em um discurso improvisado, amplificado pelos próprios manifestantes – já que microfones e caixas de som foram vetados pela polícia – Klein exaltou os protestos que sacodem o centro financeiro dos Estados Unidos há 20 dias. “Não há nenhuma data estabelecida para o seu fim”, declarou a ativista.
“Esse é o momento em que os empresários empurram goela abaixo a lista de políticas pró-corporações, como privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo”, afirmou a ativista. “Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: ‘Não. Nós não vamos pagar pela sua crise’”, enfatizou a intelectual.
O discurso da ativista foi recheado de críticas à destruição dos recrusos naturais pelas grandes corporações. “Nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim”, afirmou. “Estamos poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso”, acrescentou.
Sobre as relações que estão sendo feitas entre o Occupy Wall Street e os chamados protestos anti-globalização que iniciaram em Seattle no fim dos anos 90, Klein disse acreditar que, apesar dos objetivos serem os mesmos, há mais diferenças do que semelhanças. “Em 99 foram escolhidas as cúpulas como alvos: a OMC, o FMI, o G-8. Porém, elas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que as ações fossem transitórias também. O Occupy Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E não há nenhuma data estabelecida para o seu fim”, afirmou. “Dez anos depois, parece que já não há mais países ricos, só um bando de gente rica que saqueou a riqueza pública e esgotou os recursos naturais ao redor do mundo.”




UNESCO se dispõe a receber Palestina


  
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(Prensa Latina) Se a tendência das maiorias se mantiver firme, a Palestina poderá ingressar na UNESCO a partir da Conferência Geral da entidade que começará nesta capital, no dia 25 de outubro.

  Um fato histórico marcado de simbolismos, graças à iniciativa dos países árabes e ao co-patrocínio de Cuba, do Peru e da Venezuela na Organização de Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O debate deu-se no Conselho Executivo da agência da ONU. Finalmente, a proposta foi aprovada com 40 votos favoráveis, 4 contra (Estados Unidos, Alemanha, Letônia e Romênia) e 14 abstenções.

Segundo o diplomata palestino Mounir Anastas, observador permanente aqui, Washington não apenas se opôs categoricamente à ideia, mas também ameaçou retirar sua contribuição financeira à UNESCO.

"Trata-se de 22% do orçamento da UNESCO e não seria a primeira vez que a Casa Branca ordena algo assim", descreveu Anastas à rede internacional de televisão France24.

Ainda que não tenha diretamente influência sobre o Conselho de Segurança da ONU, onde se debate precisamente a admissão da Autoridade Nacional Palestina (ANP) como membro pleno, sem dúvida os analistas consideram que a aprovação é um triunfo do sofrido povo árabe.

"É um benefício para a ANP de qualquer modo, pois ao ter solicitado ingressar na ONU, as portas da UNESCO poderiam ser abertas com maior facilidade", opinou Fréderic Encel, especialista em Oriente Médio da Universidade Sciences Po de Paris.

Mary Florez, embaixadora de Cuba na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), disse à Prensa Latina que a resolução foi celebrada pelas nações em via de desenvolvimento como um grande sucesso.

Cuba e o grupo latino-americano qualificaram o acordo como "um momento histórico para a UNESCO e de justiça com o sofrido povo palestino".




quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Autoritarismo rende a Rodas (reitor da USP) título de persona non grata


Reitor da Universidade de São Paulo, é o primeiro professor da história da Faculdade de Direito a receber o título


Canalha, canalha canalha!!!
A principal autoridade da Universidade de São Paulo (USP), o reitor João Grandino Rodas, não é figura bem-vinda na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo (SP). Na última quinta-feira (29), professores, estudantes e funcionários deram o título de persona non grata a Rodas, o primeiro professor da história da instituição a ganhar a nomeação.

O título foi concedido por unanimidade, durante uma reunião da Congregação, instância máxima de deliberação da Faculdade. A proposta, apresentada pelo professor Sérgio Salomão 
Shecaira, expressou o ponto máximo dos conflitos entre a comunidade acadêmica e o reitor, que já se acumulavam desde a gestão de Rodas como diretor da Faculdade de Direito, entre 2007 a 2009. Segundo os manifestantes, atitudes autoritárias dele motivaram a entrega do título.

“Esse desfecho inevitavelmente iria acontecer por causa de todo o histórico de autoritarismo de Rodas como diretor da Faculdade e reitor da USP. É uma reação à altura para responder a forma com que ele tratou a instituição”, diz Aníbal Cavali, representante dos funcionários na Congregação da Faculdade de Direito e diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP).

O estopim que levou a formação da “Comuna de São Francisco”, conforme relatou o jornalista conservador articulista da revista "Veja" Reinaldo Azevedo, foram as críticas do reitor à gestão de seu sucessor na Faculdade, o diretor Antonio Magalhães Gomes Filho. Em edição especial do dia 20 de setembro, o boletim USP Destaques, órgão de imprensa oficial da reitoria, pontuou questões consideradas como problemas na administração da Faculdade que atravancaram o projeto de “modernização” iniciado por Rodas no prédio.

O boletim ressaltou que a faculdade "sente a perda de dois anos e compreendeu a involução e a situação precária de sua infraestrutura”. Disse ainda que contraria a lei e a moralidade administrativa “descontinuar projetos da gestão anterior, em curso, por implicar desperdício de dinheiro público”.
Apesar de o reitor afirmar que não atribuía a situação à atual gestão, Gomes Filho se sentiu pessoalmente atacado, impulsionando a ação conjunta na Congregação. Para Aníbal, apesar de a unidade de ação entre professores, funcionários e estudantes não ser muito comum, a surpresa mesmo se deu pelo fato das decisões terem sido tiradas de forma unânime, o que deixa claro a indisposição da comunidade com o reitor.

Ministério Público deve investigar Rodas

Além de persona non grata, a Congregação também decidiu de forma unânime que irá encaminhar ao Ministério Público um documento com denúncias que colocam em cheque a lisura da administração de Rodas como reitor e como ex-diretor da Faculdade de Direito. 
Um dos pontos que, segundo estudantes, funcionários e professores “merecem investigação” é o uso de verba pública para a produção de boletins com críticas pessoais do reitor à Faculdade. Querem ainda que o MP investigue decisões polêmicas tomadas por Rodas enquanto era diretor como a nomeação de salas de aulas por meio de contratos com a iniciativa privada e a transferência da biblioteca do prédio principal para um prédio anexo na Rua Senador Feijó.

Outro item que deve ser investigado é a transferência para o gabinete da Reitoria de dois tapetes orientais doados pela Fundação Arcadas à direção da Faculdade.

“Esses pontos, a nosso ver, caracterizam improbidade administrativa do reitor. Vamos levar isso ao Ministério Público para que o órgão apure”, explica Aníbal.

Pelo menos 500 manifestantes saíram em ato pela Faculdade depois que a Congregação tirou suas decisões. Durante o ato, professores, funcionários e estudantes decidiram que, por conta das atitudes totalitárias de Rodas, a Congregação poderá conceder o título de persona non grata também para os ex-diretores da Faculdade de Direito, Luiz Antonio da Gama e Silva, diretor da instituição entre 1959 a 1962 e redator do Ato Institucional número 5 da ditadura civil-militar, e Alfredo Buzaid, diretor entre 1967 a 1969 e Ministro da Justiça durante o governo Emílio Garrastazu Médici.

“O que está sendo colocado é que Rodas está no mesmo patamar que Alfredo Buzaid e Gama e Silva. A idéia é ficar bem clara a caracterização do reitor como uma pessoa autoritária, que não propõe diálogo, mas impõe o que quiser”, conclui Anibal.

Histórico de autoritarismo

Decisões tomadas sem consulta à comunidade renderam a João Grandino Rodas a fama de autoritário entre professores, funcionários e estudantes. Na Faculdade de Direito da USP, a decisão mais polêmica foi a transferência das bibliotecas departamentais para um prédio anexo à instituição, na Rua Senador Feijó, que não possuía condições ideais para acondicionar os livros. O fato rendeu uma ação do Ministério Público Federal.
Conforme explica Danilo Cruz, diretor do Centro Acadêmico de direito da USP, XI de Agosto, no prédio anexo há problemas com parte hidráulica, elétrica e até mesmo com a mecânica dos elevadores.
Em maio de 2010, depois que um vazamento de água colocou em risco a preservação dos livros da maior biblioteca na área jurídica da América Latina, uma movimentação dos estudantes parou a Faculdade por três dias, exigindo os volumes de volta. “Parte dos livros retornaram ao prédio, mas outros ainda ficaram no anexo. Tanto é que hoje existem 10 mil volumes ainda encaixotados, que não podem ser usados”, explica Danilo.
Outra decisão do reitor que causou revolta foi nomear duas salas de aula com os nomes do advogado Pinheiro Neto e do banqueiro Pedro Conde, financiadores da reforma das mesmas pelo custo de R$ 900 mil cada. As salas da instituição, tradicionalmente, recebem os nomes de antigos professores, no entanto, a nomeação do advogado e do banqueiro pareceu marketing pessoal para os estudantes, que exigiram a retirada das placas.
Tanto a transferência da biblioteca quanto a nomeação das salas foram medidas tomadas por Rodas no último dia de sua gestão em 2009, sem consulta às demais instâncias burocráticas da própria Faculdade. “Essas ações faziam parte do projeto de 'modernização' de Rodas, que é, na verdade, um projeto privatizante porque efetiva o financiamento privado na Universidade pública, fora a ausência de democracia”, denuncia Danilo.
Segundo o estudante, ainda existiram atritos recentes com o reitor que ameaçou demitir funcionários da instituição e instaurar novamente a cátedra vitalícia. Outro conflito foi a tentativa de Rodar de emperrar a transferência do Museu de Arte Contemporânea da USP para o antigo prédio do Detran, no Ibirapuera, por causa de divergências com o projeto "Clube das Arcadas", um complexo esportivo-cultural do Centro Acadêmico XI de Agosto, que será instalado em um terreno vizinho.
“Nenhuma das atitudes que ele tomou, levou em conta a opinião de grande parte da comunidade acadêmica. Esse título de persona non grata é um protesto contra isso. Com certeza se o reitor aparecer na Faculdade isso vai gerar muita manifestação, não vai ser uma relação amigável”, ressalta Danilo.

Mais autoritarismo

João Grandino Rodas também é conhecido por ter autorizado a entrada da Polícia Militar no campus Butantã em 9 de junho de 2009 para reprimir uma manifestação de funcionários e estudantes. Além de alguns presos, muitos estudantes ficaram feridos em razão dos disparos das balas de borracha.

Em 2007, ele já havia chamado a tropa de choque da Polícia Militar para acabar com uma ocupação simbólica da Faculdade de Direito, organizada por movimentos sociais.

Nas eleições para a substituição da ex-reitora Suely Vilela, no final de 2009, Rodas conquistou o segundo lugar, mas foi escolhido para dirigir a Universidade após uma intervenção do governador, José Serra (PSDB). Para estudantes e funcionários, a nomeação foi uma tentativa do governador de controlar de forma mais dura as movimentações no campus Butantã em São Paulo, depois da ocupação do prédio da Reitoria em 2007.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Caio Navarro de Toledo: 1964, notas sobre uma vitória simbólica

É disso que Rodas e sua gangue sentem saudades



O recente episódio suscitado por uma placa, afixada no centro do campus da USP, revelou que não deixa de ser vitorioso o significado político-ideológico que as esquerdas brasileiras difundem sobre os acontecimentos em torno de 1964. Essa interpretação não deixa de ser hegemônica na atual cultura política democrática brasileira.

Por Caio Navarro de Toledo


Na última segunda-feira (3), o blog Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, estranhou o fato de uma placa na USP conter a seguinte inscrição: “Monumento em homenagem aos mortos e cassados na Revolução de 1964”. A indagação do jornalista foi simples e direta: “A USP homenageia as vítimas da 'Revolução de 1964'?" Imediatamente, outros blogs e parte da grande mídia (portais na internet e jornais impressos) também destacaram o fato da Reitoria da Universidade de São Paulo, por meio da placa, ratificar a versão que os militares e setores civis da direita brasileira procuram difundir sobre a intervenção militar ocorrida há 47 anos; qual seja, a versão segundo a qual em 1º. de abril de 1964 teria havido uma Revolução, não um Golpe Militar! [Ninguém desconhece que, para os ideólogos civis e militares (de Delfim Netto a Golbery do Couto e Silva), 1964 representou uma “Revolução redentora” que, de forma pacífica, salvou o país da subversão antidemocrática e do comunismo ateu, bem como lançou as bases para a emergência de uma sólida economia industrial no país. Em contrapartida, para a extensa maioria dos intérpretes (partidos e autores) da esquerda brasileira, 1964 significou um golpe civil-militar contra a democracia política e as propostas de reformas econômicas e sociais do capitalismo brasileiro.]

Divulgada a informação sobre a placa, a repulsa dos setores democráticos e progressistas não tardou. Por meio da internet, a comunidade universitária e os blogs progressistas denunciaram o estelionato semântico difundido pela placa que, reconheça-se – pelo seu conteúdo objetivo –, não deixava de revelar um fato altamente positivo: a construção de um monumento em homenagem às vítimas da repressão militar nos 25 anos de ditadura.

Menos de 36 horas após a denúncia feita no blog Viomundo, alguns jornais, nesta quarta-feira (5), informam que a placa foi retirada do campus da USP. Numa nota a reitoria da USP esclarece: “Houve um erro na inscrição da placa. O nome correto é: “Monumento em Homenagem aos Mortos e Cassados no Regime Militar”. Trata-se de um projeto do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP. A correção da placa será feita o mais breve possível”.

Embora a Reitoria da USP recuse a utilização da expressão “Ditadura Militar” na nova placa, deve-se reconhecer que uma vitória no plano simbólico não deixou de ocorrer. Esta pequena vitória foi possível graças às iniciativas daqueles que – face o fascismo cotidiano existente nas democracias capitalistas – exercem o direito de protestar e não ceder ao arbítrio e à violência no plano simbólico.
Foi o que fizeram, por exemplo, três estudantes da USP. Como informa o blog Viomundo, um estudante, desafiando a segurança, riscou a expressão “Revolução de 1964” e escreveu na placa: “golpe”. Dias depois, uma estudante acrescentou a palavra certa: “Ditadura”. Horas depois, indignada, a mesma jovem voltou ao local e escreveu: “massacre”. Uma terceira estudante, blogueira, escreveu em sua página: “É um verdadeiro insulto a todos os estudantes e professores que foram perseguidos e mortos durante os anos de chumbo”. Se não fossem os estudantes, a placa insultuosa – aprovada pelos burocratas da Universidade –, certamente, ali permaneceria sob o olhar indiferente e despolitizado de muitos.

No entanto, alguns jovens não se calaram e se indignaram. São eles que, nos dias de hoje, reescrevem a consequente consigna vigente na luta contra o fascismo: "no pasarán!”.





Quilombola é assassinado no Maranhão devido a conflitos agrários, afirma CPT




Os conflitos no campo vitimaram mais um trabalhador rural no Brasil. O quilombola Valdenilson Borges, de 24 anos, foi assassinado no último domingo (2), na cidade de Serrano do Maranhão (MA). Ele era morador do Quilombo de Rosário, localizado em uma área de enfrentamentos entre quilombolas e grileiros de terra. A região, situada no litoral norte maranhense, também é uma das mais pobres do estado.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o autor do homicídio é Edvaldo Silva, que no momento encontra-se foragido. A entidade acusa o imobilismo da Polícia local, que não realiza a busca do suspeito.
As denúncias de atos de violência contra moradores de quilombos são frequentes no Maranhão. A CPT e o Movimento Quilombola da Baixada Ocidental Maranhense (Moquibom), que fazem as denúncias, criticam os governos estadual e federal pela falta de políticas de proteção dos direitos territoriais dos quilombolas do estado.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O aumento dos motins: um fenómeno mundial


De Londres a Sidi Bouzid, na Tunísia, de Santiago do Chile a Villiers-le-Bel, os motins tornaram-se um fenómeno global. Em 2011, registaram-se mais de três por dia. Entrevista a Alain Bertho, professor de antropologia da Universidade de Paris, realizada por Ivan du Roy.
Motim Tottenham (Londres) – Foto de Nicobobinus/FlickrMotim Tottenham (Londres) – Foto de Nicobobinus/Flickr
Alguns levam a reivindicações, até mesmo revoluções. A maior parte apaga-se tão depressa como se acendeu. Uma coisa é certa: de Londres a Sidi Bouzid, na Tunísia, de Santiago do Chile a Villiers-le-Bel, os motins tornaram-se um fenómeno global. Em 2011, registaram-se mais de três por dia. 
Descodificação com Alain Bertho, professor de antropologia da Universidade de Paris 8.
Desde quando trabalha sobre os motins? E porque é que se interessou?
Alain Bertho: Como muitas pessoas, fiquei impressionado com o que aconteceu na França em Novembro de 2005. Há 20 anos que trabalho sobre os subúrbios. Conhecendo um pouco o assunto, vivendo eu nos subúrbios e tendo então passado algumas noites fora, para assistir aos acontecimentos, fui tomado por uma certa perplexidade. Vimos apenas sombras. De cada vez que chegávamos, lá onde os carros ardiam, os actores dos motins já tinham partido. As famílias estavam no exterior, mais trocistas do que assustadas. Intuíamos uma certa empatia. Em seguida, aquilo parou, sem razão aparente, sem se concluir, como é habitual no caso de um movimento social com reivindicações, negociações e um fim do conflito. Em Março de 2006, segui o movimento contra o Contrato do Primeiro Emprego (CPE) diante do liceu de Saint-Denis, onde estuda o meu filho. Participava do bloqueio do liceu. Não havia assembleia geral, nem organização aparente. Tudo era feito através de SMS (o Twitter e o Facebook não estavam ainda activos na época). Os alunos de Saint-Denis iam pouco às manifestações a Paris. Ficavam ali, defrontando regularmente as forças da ordem, sabendo como queimar carros, desconfiando das manifestações parisienses demasiado sensatas. Tal convenceu-me a trabalhar sobre este assunto, sobre esta nova geração que surge e que, visivelmente, exprime contenciosos pesados contra a polícia, os pais, a sociedade. Olhei para outros países e apercebi-me que os cenários eram frequentemente os mesmos, como na Grécia, em Dezembro de 2008, quando o jovem Alexander Grigoropoylos foi baleado por um agente da polícia. A juventude grega, além disso, virou-se para os bancos, como uma espécie de premonição.
Os motins são mais numerosos actualmente?
Utilizando a mesma metodologia (os motins recenseados pelo motor de busca Google), contabilizam-se, em 2008, cerca de 270 motins, considerando todos os continentes. Passámos para 540 em 2009, depois para 1238 em 2010. Este número será ultrapassado em 2011, visto que em 31 de Agosto vamos já em mais de 1100. Vivemos uma sequência particular de uma frequência muito grande de confrontos, entre pessoas e autoridades, ou entre as próprias populações. Foi a mesma coisa no século XVIII, em 1848 ou em 1917. Com uma grande diferença, contudo: estes períodos conflituais precedentes eram visíveis e compreensíveis pelos próprios actores dos motins, graças aos discursos políticos que os acompanhavam. De momento, a actual intensificação dos tumultos não emerge para o espaço público. Permanece parte submersa da conflitualidade política. E, quando um motim é subitamente mediatizado, como neste Verão, em Londres, espantamo-nos. No entanto, alguns meses antes, no final de 2010, estudantes britânicos pilharam a sede do Partido Conservador ou atacaram o carro do príncipe de Gales. O Chile está a ser actualmente agitado por um movimento social muito duro no qual os estudantes estão na linha da frente. Mas isso não é visto como um fenómeno geral.
No Reino Unido, sem considerar que os manifestantes são criminosos, como faz o primeiro-ministro David Cameron, o líder do Partido Trabalhista Ed Miliband, fala de "motins de ganância", equivalente popular da ganância dos banqueiros. O que pensa sobre esta qualificação?
Aconselharia a leitura da obra de Jean Nicolas "A rebelião francesa: movimentos populares e consciência social 1661-1789". Encontramos os mesmos modos de operar numa situação de grandes desigualdades sociais. Os motins, as explosões sociais passam pelas pilhagens. Salvo que, no século XVIII, atacavam-se os celeiros de farinha e não as lojas da baixa. Em quinze anos, as desigualdades sociais voltaram aos níveis de há um século. É de uma grande brutalidade. Não podemos oferecer a sua quota de sonho às gerações mais jovens, confrontadas, ao mesmo tempo, com um retrocesso social rápido e com um futuro obstruído. Além disso, as desigualdades são mais visíveis: tudo aquilo a que não se pode aceder, ostenta-se na cidade.
Face aos tumultos, os Estados usam meios repressivos cada vez mais impressionantes: estado de emergência em França em 2005, recurso a testemunhos anónimos em Villiers-le-Bel, campanhas mediáticas de apelo à denúncia, no Reino Unido, justiça sumária, ameaça de suspender as redes de comunicação... Os nossos governos têm assim tanto medo que estejam prontos para acabar com o Estado de Direito?
O Estado de Direito tem sofrido golpes sérios. Os Estados estão em plena crise de legitimidade. A matriz desta crise é evidente: os Estados são mais afectados hoje pelos credores anónimos, que são os mercados financeiros, do que pela vontade popular. A legitimidade do seu poder baseava-se no facto de que sustentavam o bem comum e a solidariedade nacional. O imposto – a partilha dos recursos para o bem comum, que é o fundamento da legitimidade do Estado – alimenta doravante a máquina capitalista dos mercados financeiros. Como resultado, os Estados procuram uma legitimidade alternativa: a legitimidade do medo para a qual todos os regimes tendem cada vez mais. Fiquei surpreendido com a semelhança do discurso de Grenoble, de Nicolas Sarkozy (em 30 de julho de 2010) e de David Cameron, um ano depois, em Londres. Criam confusão entre a lógica policial e a de guerra: as guerras externas tornaram-se operações policiais e as operações internas policiais são apresentadas como operações de guerra. Isso cria um confronto permanente e uma lógica de escalada. Porque, para o Estado, como fazer de outro modo, senão o de ser o mais forte neste campo?
Existem sinais precursores de um motim e podemos prever a sua magnitude?
Os sinais precursoresnão são visíveis na cena pública. A deflagração de um tumulto é sempre surpreendente, mesmo que as condições objectivas estejam muitas vezes lá. Centenas, talvez milhares de pessoas, esquecem o risco que correm, passando à acção, de serem feridas ou presas: o detonador deve ser emocionalmente forte. A extensão que vai ter o motim, nunca é conhecida antecipadamente. Imediatamente após os motins gregos de 2008, um jovem negro foi morto pela polícia em Oakland (Califórnia). A cena foi filmada e retransmitida. Originou apenas uma noite de tumultos, o que pode parecer surpreendente, dados os antecedentes nos Estados Unidos. Inversamente, quem poderia prever que um motim começado numa pequena cidade tunisina, Sidi Bouzid, após o suicídio de um jovem vendedor ambulante, ia finalmente derrubar Ben Ali? A amplitude que toma um motim depende da sua força emocional e da capacidade, ou não, de agregação. No Reino Unido, os tumultos de Agosto não transbordaram para além da juventude urbana saída das categorias populares. Em França, a conexão entre a juventude estudantil e a juventude popular começou a ocorrer durante o movimento sobre as pensões, em meados de Outubro de 2010, quando os estudantes aderiram à mobilização. Foram acompanhados por uma parte dos jovens dos bairros populares e por vezes atacaram os centros de cidades, como em Lyon.
Os actores de um motim continuam a ser os jovens?
Eles são os principais actores, em todo o mundo. No Senegal, durante os motins contra as reformas constitucionais desejadas pelo presidente Wade, em Junho de 2011, todo o país estava na retaguarda dos jovens. A maioria da imprensa senegalesa aplaudiu os tumultuosos – o que muda a partir daqui! Mas, na rua, não havia apenas jovens. Encontrávamos, lado a lado, jovens rurais apenas alfabetizados e doutorandos em informática. Todas as juventudes, quer sejam populares ou estudantes, sofrem com a falta de futuro e de discurso disciplinar.
Quais são as condições para que um motim passe da violência gratuita para um discurso político?
A vontade de lutar é muitas vezes impressionante, porque não há outras maneiras de dizer as coisas. É diferente de um recurso à violência inscrito num projecto político que acompanha as reivindicações. Um motim, do ponto de vista dos seus actores, é a única linguagem. Quando os possíveis se fecham, parte-se para o confronto. Mas se a palavra for restituída, a violência pode tornar-se inútil. Um dos acontecimentos importantes de 2011 é a chegada da primavera árabe, que ultrapassa largamente os países em causa. Os motins tunisinos e egípcios testemunham a convergência dos jovens desempregados rurais, dos estudantes e depois da classe média. A primavera árabe permitiu o retorno de uma voz política e a construção de um movimento que finalmente culminou numa vitória. A passagem para um discurso comum, no qual cada um se reconhece, é possível quando essa convergência ocorre. Observamos, desde então, um fenómeno de contágio e de imitação, nomeadamente com o movimento dos Indignados. Em Dakar, os jovens transformaram a praça Soweto em praça Tahrir (a grande praça do Cairo, onde se reuniam os manifestantes)
Porquê esta dificuldade em expressar uma palavra política comum?
Muitas vezes o espaço é trancado por organizações instaladas e institucionalizadas há décadas: partidos políticos, sindicatos, associações... A palavra política das novas gerações não terá nada a ver com o que conhecemos. O modo de organização das gerações precedentes foi em grande parte determinado pelo seu objectivo, seja de tomar o poder, seja de nele participar. As mobilizações políticas que observamos não têm por objecto, de todo, tomar o poder. Os Indignados espanhóis, egípcios e israelitas têm exigências face ao poder, mas permanecem no exterior. Querem um governo obediente ao povo, como desejava o Subcomandante Marcos ("governar obedecendo")1. No seio das gerações jovens, não existem portanto organizações duradouras: reúnem-se pontualmente para um objectivo pontual. Estas novas formas de expressão política foram um pouco antecipadas pelos fóruns sociais. As mobilizações clássicas, de tipo sindical e político, serão confrontadas com novas dinâmicas de mobilização que as ultrapassarão largamente. Tal foi percepcionado aquando do movimento sobre as pensões. Não existe, actualmente, conflito social musculado em que não se vejam paletes ou pneus a arder. Uma maneira de dizer: "Atenção, é a sério."
Quais são os exemplos de motins que levam a uma transformação política e social?
Nesse caso, não se lhes chama motins mas insurreições ou revoluções. E dá-se-lhes um nome próprio, como a Tomada do Palácio de Inverno2, a Tomada da Bastilha, que começa com motins, ou a Comuna de Paris em 1871, quando os parisienses impedem o exército de retirar os canhões em Montmartre. Premissa de Maio de 68, o Movimento 22 de Março desencadeia-se após a prisão de um militante que participa do saque da sede parisiense do American Express. Não são mais tumultos, mas acontecimentos fundadores de uma viragem histórica.
Os distúrbios raciais na Europa, tal como a caça aos trabalhadores agrícolas imigrantes perpetrada em Rosarno, na Itália, no início de 2010, correm o risco de se multiplicar?
Têm também tendência a intensificar-se. Recentemente, em Palma de Maiorca (Ilhas Baleares, Espanha), migrantes de origem nigeriana e populações ciganas afrontaram-se após a morte de um jovem nigeriano. A situação na Europa é muito perigosa. O seu declínio facilita as dinâmicas de exclusão. Nos discursos de Sarkozy ou de Cameron, o estrangeiro é apontado como uma ameaça. Isto alimenta uma lógica de guerra civil. Corre-se o risco de o conflito ser também intergeracional: é mais fácil apontar a juventude como um perigo, quando os menores de 25 anos constituem um quarto da população, do que quando representam mais de metade.
Recolhido por Ivan du Roy. Blogue de Alain Bertho
Artigo publicado em Basta! a 19 de Setembro de 2011, traduzido por Cristina Barros para esquerda.net


1 O Subcomandante Marcos é o porta-voz da insurreição zapatista no México, que começou em 1994, N. da R.
2 Durante a Revolução Russa em 1917, N. da R.